Revendo a Religião

05/11/2009

Onde Está Deus?

Como qualquer integrante desse grande circo chamado humanidade, também tenho dias em que pensamentos negros, revoltantes e tristes povoam minha mente: pessoas tendo seus sonhos despedaçados com a mesma facilidade com que abrimos a janela de casa, jovens encurtando involuntariamente suas jornadas repletas de possibilidades pelo grotesco fato de um projétil de arma de fogo transpassar seus crânios, projétil esse oriundo do cano fumegante de um símbolo bélico empunhado por um traficante de drogas que sustenta o vício no irreal de milhares de outros jovens, os quais de fato estariam melhores com um buraco em seus crânios do que vivendo as migalhas do que sobrou de suas dilaceradas vidas.

Não obstante, vemos neonatos anencéfalos chegando a um mundo que jamais chegarão a conhecer; crianças dando adeus aos seus primeiros passos por sucumbirem a cânceres incuráveis; pessoas que gozam da mais plena saúde morrendo em desastres inexplicáveis; políticos contemptíveis atufando seus bolsos com dinheiro que deveria ser aplicado para aprimorar sistemas precários de saúde, educação e transporte (além de outros); policiais protegendo não a população indefesa, mas sim os malfeitores que despertam o terror e o medo em indivíduos corretos e trabalhadores; homens se matando por uma simples discussão de bar.

Os pensamentos negros, ao mesmo passo que nos conduzem por um mundo que fazemos questão de não enxergar, conseguem trazer um fino fio de esperança, pois nossas mentes são programadas justamente para tentar responder e consertar tudo aquilo que julgamos errado ou fora de lugar.

Mas, após pensar em tantos fatos que deveriam ficar trancafiados nos porões deploráveis da podridão, uma pergunta vem à tona: (mais…)

03/11/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (Parte Final)

Deus é Eterno

“Deus não tem princípio nem fim”

Lendo-se o dicionário Houaiss, pode-se ter como uma das definições do vocábulo “invenção” o seguinte: “coisa imaginada que se dá como verdadeira; invencionice, fantasia”. Uma invenção, seguindo-se o contexto, é uma ideia fabricada, elaborada por uma mente realmente dotada de grande capacidade de abstração, mas que, como o próprio conceito diz, não passa de uma fantasia.

Assim é a invenção de Deus.

Deus não existe. Nunca existiu. Como algo que nunca foi de fato concebido pode ter princípio ou fim? A ideia é paulatinamente inconcebível! Deus passa a não apresentar limites devido a um pensamento estratégico da Igreja. Se houvesse uma limitação do poder ou da amplitude de Deus, nada mais poderia ser a ele atribuído. Para se alterar um plano fechado, um conceito com delimitações definidas, é necessário fazer intervenções, e, indubitalvemente, intervenções acabam criando inquirições de pessoas contrárias a tais atos! Se Deus fosse limitado, e a Igreja posteriormente quisesse ampliar sua magnitude, perguntas seriam levantadas, havendo um risco iminente de diminuição de credibilidade.

Para evitar altercações, a Igreja simplesmente retirou quaisquer limites de Deus: o homem-invisível passa a ser o tudo e o nada, o céu e a terra, o começo e o fim. Assim, tudo pode ser atribuído a Deus. Excluindo-se limites, Deus pode ser encontrado na cura milagrosa do câncer e também no crescimento magnífico da flor do campo, no nascimento de um novo ser e na formação de figuras curiosas nas nuvens, no calor do centro da Terra e na ausência de oxigênio em outros planetas. Deus passa a ter valores conflitantes, controversos, pleiteando o direito de ser tudo e nada simultaneamente! Colocando-se Deus em todo e qualquer lugar, perguntas são silenciadas, o poder de controle sobre o povo torna-se mais fácil e a prosperidade da Igreja segue sempre a pleno vapor.

Deus, de fato, não pode ter princípio nem fim. Deus é uma lenda, uma criação, um produto de um pré-consciente fantasioso, imaginativo. O homem-invisível é (mais…)

22/10/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (parte 2)

A Unidade de Deus

“Não existe mais que um único Deus”

A frase supracitada fornece, em poucas palavras, um resumo rápido e de fácil compreensão acerca da manipulação dos povos, ao mesmo passo que incita a discórdia com outras fontes ideológicas, afinal, exemplificando-se, o Deus cristão não parece ser representado da mesma forma que o Deus hindu.

A unidade de Deus, como prega esse dogma, foi e sempre será uma arma de alcance ilimitado na mão dos pregadores do homem-invisível, pois não passa de um engodo que consegue “inocentemente” adentrar em qualquer sociedade contrária a tal ideia (mesmo que nem sempre amistosamente), mas que acaba tendo um efeito cruel e devastador.

Pare um momento e reflita: nos primórdios da humanidade, civilizações notáveis cobriam a superfície terrestre – povos esses que possuíam conhecimentos avançados de astronomia, matemática, geografia e várias outras ciências. O que esses povos apresentavam em comum? A resposta é simples: o politeísmo. Maias, astecas, incas, egípcios, celtas, alguns povos ameríndios, todas politeístas.

O instinto humano de atribuir significados incríveis para o desconhecido não é uma novidade, pois é esse o alicerce do politeísmo. A chuva, os rios, as marés, a lua, tudo era compreendido como algum incomum, mágico, supersticioso, gerando a formação de inúmeros deuses, um para cada evento fantástico, com inúmeros seguidores.

Agora imagine tentar manipular uma população onde cada mente tem seu próprio caminho – mesmo que cego e curto. Seria difícil, creio eu. Se o não cumprimento de uma determinada ação, por parte de um membro da sociedade, despertasse a ira de um Deus, mas o culpado não fosse temente a essa mesma entidade superior, o que aconteceria com a punição para tal afronta? (mais…)

16/04/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (Parte 1)

Pergunto-me qual seria o método mais eficaz para se utilizar quando há a intenção de impor a outrem vários pensamentos desconexos. Respostas podem surgir aos montes, mas creio que o fracionamento das idéias em pequenas e imperceptíveis partes seria a resposta mais adequada. Semelhantes a pequenas drágeas, que podem ser engolidas aos poucos, em pequenas doses, as idéias iriam abdicando um espaço dentro das mentes mais despreparadas, gerando um inevitável acúmulo e surtindo o efeito desejado.

As inverdades da Igreja são introduzidas no pensamento dos cristãos exatamente dessa maneira. Afinal, como pegar uma grande e assustadora mentira e impô-la a milhões de pessoas de forma “fácil e indolor”? A resposta é um tanto quanto simples: basta fragmentá-la em quarenta e três frases desconexas, tornar esses fragmentos afirmações incontestáveis, através de violenta repreensão contra aqueles que ousarem duvidar da origem ou veracidade das mesmas e, pronto, tem-se criados os dogmas da Igreja Católica! Não somente a mentira assume o papel de incontestável como também acaba tornando-se desafiadora e perigosa, ao mesmo tempo em que ganha força e corrompe mentes desatentas e frágeis. (mais…)

14/10/2008

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