A Arte da Dissimulação
Religiosos, munidos de uma necessidade apodíctica de autodestruição, buscam criar um habitat completamente alheio ao mundo real, uma espécie de realidade paralela construída pelo desespero e pela crescente necessidade de condenação intelectual, governado tão somente pelo homem-poderoso e por seus filhos terrenos.
Pergunto-me, primeiramente, se os fiéis são simplesmente amauróticos, ou se os mesmos possuem um desejo incomensurável de afastamento da vida real, a qual é, por essência, repleta de desilusões e sofrimentos. Certamente seria agradabilíssimo viver em um recanto iluminado pelas “graças divinas”, isolado de toda maldade e à prova de contestações! Um local virtual, imune a crimes e barbáries, uma vez que todos os filhos maculados pelo carinho (e proteção!) do senhor todo-poderoso estariam em um mesmo lugar, presumindo-se que toda a escória ficaria apenas espreitando, confusa e invejosamente, esse pequeno pedaço de paraíso.
Porém, tal recôndito divino, cingido por bênçãos espirituais, não existe.
Os filhos de Deus não possuem uma área terrena exclusivamente circunscrita. Aqueles que entregam suas vidas, já desprovidas de muitos valores cruciais para o desenvolvimento completo do ser enquanto ser, aos “encantos” da vida religiosa, coabitam com mentes divergentes um mesmo inferno inexpugnável. Logicamente, não há distinção territorial, pois basta sairmos à rua para vermos muçulmanos, cristãos, judeus, evangélicos e ateus circulando pelas mesmas calçadas, comprando nas mesmas lojas, cruzando os mesmos corredores prediais, criando conversas vazias, desprovidas de qualquer propósito, dentro de elevadores.
Vejo pessoas diferentes, com deuses diferentes, convivendo (desarmonicamente, é verdade) lado a lado. Lembro, ainda, que (mais…)