Revendo a Religião

18/07/2011

A Multiplicação do Nada

Ao nos depararmos com alguma explanação alicerçada em um único e indivisível conceito ideológico, criamos uma cadeia de raciocínios lógica fundamentada no princípio da indissociabilidade: a construção racional provinda do conceito exposto deve admitir tão somente um único resultado, imutável, que de modo algum permita a criação de soluções alternativas ou parciais. A “verdade”, portanto, é uma só.

As religiões tentam seguir a premissa da verdade soberana: julgam irretocáveis seus princípios falaciosos, pregam que suas idéias são unas, indissolúveis, superiores a qualquer julgamento humano. O conceito de religião procura promover sua risível “onipotência”, pois sob o prisma religioso não há nada a retocar entre os dogmas e regras usados covardemente como escudo anti-realidade: Deus simplesmente É, a igreja simplesmente É, e nada pode ou deve ser dito contra tamanha afronta ao raciocínio lógico.

Entretanto, uma pergunta surge na mente numa velocidade vertiginosa: se as religiões são unas, se Deus é o todo de uma pluralidade indivisível, por que existem tantas igrejas com correntes “filosóficas” diferentes, ou até mesmo por que existem tantas subdivisões acondicionadas a uma mesma corrente, por assim dizer, filosófica (e aqui me refiro às Pentecostais, principalmente)? A resposta (more…)

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10/04/2008

Um Deus Distorcido

No dia dez de Abril de dois mil e oito, das dezessete às dezoito horas, através de um programa televisivo intitulado “Show da Fé”, respaldado pela Igreja Internacional da Graça de Deus, consegui compreender o significado para um verbo que realmente transita aleatória, porém constantemente, em qualquer pregação digna de um fiel e verdadeiro arauto cristão: o vocábulo “pecar”.

O “missionário” infiltrou direta e esmeradamente a idéia por trás da palavra nas frágeis mentes presentes: o verbo pecar, utilizado pelos copistas no livro Juízes (e em vários outros, é claro), significa “errar o alvo”. Para justificar seu uso, uma história narrada na seqüência do sermão demonstrava a recompensa obtida, em forma de apoio bélico divino, por “setecentos homens escolhidos, canhotos, os quais atiravam com a funda uma pedra em um cabelo, e não erravam” (ler Juízes 20:1-48). A tradução para “não erravam”, segundo o missionário, advém de “não pecavam (a mira)”. Certo, até então, nada fora dos conformes das regras gramaticais.

O que o missionário omitiu não foi o sentido gramatical do verbo, e sim o real significado acerca dessa história, o qual estava prontamente aceso em sua confusão de idéias (deve ser realmente complicado criar uma sinergia entre o impulso da fala ludibriante e a necessidade de conter eternamente no lado esquecido da razão o que realmente deveria ser dito). O pregador apenas falou que Deus (oh, senhor todo-poderoso e inexistente) necessita de pessoas realmente infalíveis, logo, que transcendam os limites físicos e psicológicos inerentes ao homem, barreiras essas de fato limitantes e certamente instransponíveis.

Não há muitas interpretações perante o fato. A mais sensata é que o missionário estava defendendo a materialização de um falso poder empíreo, numa (more…)

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