Revendo a Religião

25/02/2008

Um Mito Chamado Deus

Michel Onfray, filósofo e escritor francês, foi muito feliz ao escrever em seu “Tratado de Ateologia” que o homem fez de Deus seu espelho dotado da capacidade de formar uma imagem invertida. Para esse ente magnífico, foram atribuídas todas aquelas capacidades inatingíveis pelos humanos, tais como imortalidade, onipotência, onisciência, onipresença, infalibilidade e outros incontáveis adjetivos incompatíveis com a física e a psique humana.

Deus foi construído para dominar uma massa populacional com ritmo de crescimento exponencial, para fornecer uma forma de escape para as desilusões, frustrações, abdicações e, principalmente, para a ignorância, qualidade inerente e incorrigível dos fiéis religiosos.

Explicações extraordinárias para o que não sabemos são criadas desde os nossos nascimentos. Somos ludibriados com vários contos da carochinha; somos afastados do conhecimento primordial para entrarmos em contato com uma nascente de informações falsas, absurdamente impossíveis e amplamente difundidas; somos penalizados com a adoração eterna a um ser imaginário antes mesmo de termos consciência de quem somos.

Deus é uma comodidade, uma forma mais simples e direta de dizer que não se conhece nada além do que as igrejas e seus pregadores querem que seja sabido. É uma farsa, um fantoche, um oásis num deserto inóspito, habitado por vidas que juram ter encontrado a fonte rejuvenescedora, sagrada, mas que acabam se enterrando em areia movediça, afastando-se da luz da sabedoria. E a sabedoria não é simplesmente um vocabulário bonito, de difícil compreensão, ou a citação de famosos que sucumbiram há séculos, mas, também, a incorporação dos fatos cotidianos e a sua interpretação como algo necessário, porém banal, sem atributos divinos, toques celestiais ou moderações deíficas.

A criatura divina é uma forma de chegar mais rápido ao nada, é a construção de algo invisível, é o nascimento de alguém que não foi concebido. Várias religiões confeccionaram diferentes deuses, adequando-os aos seus costumes, mas sempre com o intuito de manipular os crentes, forçando-os, consciente ou inconscientemente, a fazer atos diversos para a obtenção de qualquer espécie de benefício, desde a agregação de novos territórios até o extermínio de mentes divergentes.

Guerras existem, enquanto que a paz é pura demagogia. Pessoas felizes existem. Pessoas perfeitas, entretanto, não. A força de vontade e a auto-sugestão são fatos, ao passo que os deuses são estórias.

Vi na televisão pessoas atribuindo a cura de suas “enfermidades” à intervenção divina. Senti-me enojado, pois, à medida que os pobres ingênuos narravam seus casos fantásticos, um “missionário” hipócrita sorria com descaramento, deixando escapar em suas feições um espírito de deboche e descaso revoltante. Porém, contraditoriamente, os “curados” só faziam agradecer ao “missionário” e ao Deus todo-poderoso. Além de estarem garantindo o certificado de ignorância-mor, esses fiéis acabam simultaneamente subestimando-se, diminuindo o poder de suas mentes (more…)

22/02/2008

Religião: Um Mal Antigo

Filed under: alienação,ateísmo,história antiga,religião — jorgesneto @ 4:40 pm
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Há algum tempo, estava assistindo a um programa de televisão denominado “Cidades do Mundo Antigo”, no Discovery Channel. O programa retratava os hábitos de vida e um pouco da cultura de um povo chamado pelos estudiosos de Lambayeque (o local do estudo é famoso pelas “Pirâmides de Túcume”), o qual foi completamente dizimado após a chegada dos espanhóis ao Peru.

Voltando-se mais de quinhentos anos na história, poderíamos constatar que esse povo não foi o único a ser extinto pela jactância infindável dos conquistadores europeus, os quais traziam em suas “bagagens” tudo o que era necessário para conquistar povos brilhantes, de intelecto anos-luz a frente dos néscios europeus: a força bruta, a intenção de guerra e a palavra de Deus.

Estive lendo, tempos atrás, um livro denominado “O Livro Negro do Cristianismo”¹. Nessa obra, havia um capítulo inteiramente dedicado aos absurdos cometidos pela igreja no mundo moderno. Quando li as atrocidades praticadas pelos colonizadores, avalizados pelos primeiros jesuítas, fiquei perplexo, impotente e cabalmente aterrorizado.

Fala-se muito sobre o genocídio judeu cometido por Adolph Hitler e seus exércitos anti-semitas. Não só a igreja católica fez questão de se abster de qualquer meio de afrontamento aos nazistas como também cometeu ato de igual ou maior proporção na época da colonização sul-americana! Os colonizadores e “soldados de Jesus” gozavam de um sadismo que transpassava a barreira do grotesco, uma vez que as práticas de tortura eram comuns, compondo um cenário cotidiano de dor, desespero, prepotência e irracionalidade.

Não quero perder muito o objetivo principal dessa postagem, pois as barbáries cometidas na época da colonização certamente comporiam outro artigo, então, voltemos ao documentário do povo Lambayeque.

Segundo os estudiosos, centenas de pirâmides foram erguidas com o esforço sobrenatural dos locais, com o propósito de acolher os sacerdotes maiores, aqueles que realmente mantinham o controle dos demais membros da “tribo”. Havia uma crença politeísta, uma vez que era criado um “deus” para os vários fenômenos naturais, os quais obviamente não poderiam ser explicados com o conhecimento inerente à época.

O mecanismo de funcionamento dessa sociedade era um tanto quanto simples: as pirâmides eram erguidas para mimetizar as grandes montanhas, consideradas – conforme o ingênuo conhecimento dos habitantes locais – as moradas dos grandes deuses. Sendo assim, aquele que morava no alto da pirâmide era uma espécie de (more…)

12/02/2008

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