Revendo a Religião

18/07/2011

A Multiplicação do Nada

Ao nos depararmos com alguma explanação alicerçada em um único e indivisível conceito ideológico, criamos uma cadeia de raciocínios lógica fundamentada no princípio da indissociabilidade: a construção racional provinda do conceito exposto deve admitir tão somente um único resultado, imutável, que de modo algum permita a criação de soluções alternativas ou parciais. A “verdade”, portanto, é uma só.

As religiões tentam seguir a premissa da verdade soberana: julgam irretocáveis seus princípios falaciosos, pregam que suas idéias são unas, indissolúveis, superiores a qualquer julgamento humano. O conceito de religião procura promover sua risível “onipotência”, pois sob o prisma religioso não há nada a retocar entre os dogmas e regras usados covardemente como escudo anti-realidade: Deus simplesmente É, a igreja simplesmente É, e nada pode ou deve ser dito contra tamanha afronta ao raciocínio lógico.

Entretanto, uma pergunta surge na mente numa velocidade vertiginosa: se as religiões são unas, se Deus é o todo de uma pluralidade indivisível, por que existem tantas igrejas com correntes “filosóficas” diferentes, ou até mesmo por que existem tantas subdivisões acondicionadas a uma mesma corrente, por assim dizer, filosófica (e aqui me refiro às Pentecostais, principalmente)? A resposta (more…)

03/11/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (Parte Final)

Deus é Eterno

“Deus não tem princípio nem fim”

Lendo-se o dicionário Houaiss, pode-se ter como uma das definições do vocábulo “invenção” o seguinte: “coisa imaginada que se dá como verdadeira; invencionice, fantasia”. Uma invenção, seguindo-se o contexto, é uma ideia fabricada, elaborada por uma mente realmente dotada de grande capacidade de abstração, mas que, como o próprio conceito diz, não passa de uma fantasia.

Assim é a invenção de Deus.

Deus não existe. Nunca existiu. Como algo que nunca foi de fato concebido pode ter princípio ou fim? A ideia é paulatinamente inconcebível! Deus passa a não apresentar limites devido a um pensamento estratégico da Igreja. Se houvesse uma limitação do poder ou da amplitude de Deus, nada mais poderia ser a ele atribuído. Para se alterar um plano fechado, um conceito com delimitações definidas, é necessário fazer intervenções, e, indubitalvemente, intervenções acabam criando inquirições de pessoas contrárias a tais atos! Se Deus fosse limitado, e a Igreja posteriormente quisesse ampliar sua magnitude, perguntas seriam levantadas, havendo um risco iminente de diminuição de credibilidade.

Para evitar altercações, a Igreja simplesmente retirou quaisquer limites de Deus: o homem-invisível passa a ser o tudo e o nada, o céu e a terra, o começo e o fim. Assim, tudo pode ser atribuído a Deus. Excluindo-se limites, Deus pode ser encontrado na cura milagrosa do câncer e também no crescimento magnífico da flor do campo, no nascimento de um novo ser e na formação de figuras curiosas nas nuvens, no calor do centro da Terra e na ausência de oxigênio em outros planetas. Deus passa a ter valores conflitantes, controversos, pleiteando o direito de ser tudo e nada simultaneamente! Colocando-se Deus em todo e qualquer lugar, perguntas são silenciadas, o poder de controle sobre o povo torna-se mais fácil e a prosperidade da Igreja segue sempre a pleno vapor.

Deus, de fato, não pode ter princípio nem fim. Deus é uma lenda, uma criação, um produto de um pré-consciente fantasioso, imaginativo. O homem-invisível é (more…)

16/04/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (Parte 1)

Pergunto-me qual seria o método mais eficaz para se utilizar quando há a intenção de impor a outrem vários pensamentos desconexos. Respostas podem surgir aos montes, mas creio que o fracionamento das idéias em pequenas e imperceptíveis partes seria a resposta mais adequada. Semelhantes a pequenas drágeas, que podem ser engolidas aos poucos, em pequenas doses, as idéias iriam abdicando um espaço dentro das mentes mais despreparadas, gerando um inevitável acúmulo e surtindo o efeito desejado.

As inverdades da Igreja são introduzidas no pensamento dos cristãos exatamente dessa maneira. Afinal, como pegar uma grande e assustadora mentira e impô-la a milhões de pessoas de forma “fácil e indolor”? A resposta é um tanto quanto simples: basta fragmentá-la em quarenta e três frases desconexas, tornar esses fragmentos afirmações incontestáveis, através de violenta repreensão contra aqueles que ousarem duvidar da origem ou veracidade das mesmas e, pronto, tem-se criados os dogmas da Igreja Católica! Não somente a mentira assume o papel de incontestável como também acaba tornando-se desafiadora e perigosa, ao mesmo tempo em que ganha força e corrompe mentes desatentas e frágeis. (more…)

14/10/2008

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