Revendo a Religião

16/04/2010

Ser Cristão

Liberdade. Esse belo vocábulo é mais do que um agrupamento de letras, é uma filosofia de vida. O embrião da humanidade teve sua história primitiva baseada na liberdade, embora com o decorrer dos anos, o conceito intrínseco na palavra veio sendo diminuído até assumir a mínima proporção de ideal inalcançável. Embora a liberdade possa ser considerada por muitos um devaneio utópico, consegue ainda se fazer presente em uma das principais escolhas que o homem pode realizar durante seu período de existência: pode-se escolher continuar livre ou condenar-se por opção.

A lógica irrefutável fornece um caminho único, reto, plano, sem contradições, uma viagem confortável ao interior da mente humana para podermos localizar a essência do homem e dela obter as respostas às perguntas que frequentemente não temos paciência para responder. No interior da mente humana podemos encontrar a resposta para tudo aquilo que nos cerca, desde que tenhamos a placidez de exercitar a habilidade do questionamento. Assim funciona a ciência, onde não se tem a resposta de tudo, mas constantemente há a procura para preencher essas lacunas.

Somos seres privilegiados, mas devemos fazer por merecer esse privilégio. Exercitamos esse dom quando (more…)

05/04/2010

A (Verdadeira) Face de Cristo

Novas discussões acerca da legitimidade do Santo Sudário estão sendo erigidas. Recentes recursos tecnológicos buscam esculpir virtualmente a face daquele que muitos crêem ser o procurador terreno do todo-poderoso homem invisível, o messias que veio à Terra com o santo intuito de abocanhar mentes inertes para alicerçar o início de um império repugnante, desprezível, execrável.

O Santo Sudário, que não passa de um artefato fabricado pela própria igreja na Idade Média, pincela falsamente sobre um rico tecido de seda (ora, vejam, um pobre pregador, que renegou quaisquer riquezas, teve como última vestimenta um lençol do mais rebuscado tecido disponível!) os rascunhos de um homem que traria mais paz à humanidade se tivesse encarcerado seus ideais egoístas em sua mente perversa. As palavras proferidas por esse (more…)

03/11/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (Parte Final)

Deus é Eterno

“Deus não tem princípio nem fim”

Lendo-se o dicionário Houaiss, pode-se ter como uma das definições do vocábulo “invenção” o seguinte: “coisa imaginada que se dá como verdadeira; invencionice, fantasia”. Uma invenção, seguindo-se o contexto, é uma ideia fabricada, elaborada por uma mente realmente dotada de grande capacidade de abstração, mas que, como o próprio conceito diz, não passa de uma fantasia.

Assim é a invenção de Deus.

Deus não existe. Nunca existiu. Como algo que nunca foi de fato concebido pode ter princípio ou fim? A ideia é paulatinamente inconcebível! Deus passa a não apresentar limites devido a um pensamento estratégico da Igreja. Se houvesse uma limitação do poder ou da amplitude de Deus, nada mais poderia ser a ele atribuído. Para se alterar um plano fechado, um conceito com delimitações definidas, é necessário fazer intervenções, e, indubitalvemente, intervenções acabam criando inquirições de pessoas contrárias a tais atos! Se Deus fosse limitado, e a Igreja posteriormente quisesse ampliar sua magnitude, perguntas seriam levantadas, havendo um risco iminente de diminuição de credibilidade.

Para evitar altercações, a Igreja simplesmente retirou quaisquer limites de Deus: o homem-invisível passa a ser o tudo e o nada, o céu e a terra, o começo e o fim. Assim, tudo pode ser atribuído a Deus. Excluindo-se limites, Deus pode ser encontrado na cura milagrosa do câncer e também no crescimento magnífico da flor do campo, no nascimento de um novo ser e na formação de figuras curiosas nas nuvens, no calor do centro da Terra e na ausência de oxigênio em outros planetas. Deus passa a ter valores conflitantes, controversos, pleiteando o direito de ser tudo e nada simultaneamente! Colocando-se Deus em todo e qualquer lugar, perguntas são silenciadas, o poder de controle sobre o povo torna-se mais fácil e a prosperidade da Igreja segue sempre a pleno vapor.

Deus, de fato, não pode ter princípio nem fim. Deus é uma lenda, uma criação, um produto de um pré-consciente fantasioso, imaginativo. O homem-invisível é (more…)

22/10/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (parte 2)

A Unidade de Deus

“Não existe mais que um único Deus”

A frase supracitada fornece, em poucas palavras, um resumo rápido e de fácil compreensão acerca da manipulação dos povos, ao mesmo passo que incita a discórdia com outras fontes ideológicas, afinal, exemplificando-se, o Deus cristão não parece ser representado da mesma forma que o Deus hindu.

A unidade de Deus, como prega esse dogma, foi e sempre será uma arma de alcance ilimitado na mão dos pregadores do homem-invisível, pois não passa de um engodo que consegue “inocentemente” adentrar em qualquer sociedade contrária a tal ideia (mesmo que nem sempre amistosamente), mas que acaba tendo um efeito cruel e devastador.

Pare um momento e reflita: nos primórdios da humanidade, civilizações notáveis cobriam a superfície terrestre – povos esses que possuíam conhecimentos avançados de astronomia, matemática, geografia e várias outras ciências. O que esses povos apresentavam em comum? A resposta é simples: o politeísmo. Maias, astecas, incas, egípcios, celtas, alguns povos ameríndios, todas politeístas.

O instinto humano de atribuir significados incríveis para o desconhecido não é uma novidade, pois é esse o alicerce do politeísmo. A chuva, os rios, as marés, a lua, tudo era compreendido como algum incomum, mágico, supersticioso, gerando a formação de inúmeros deuses, um para cada evento fantástico, com inúmeros seguidores.

Agora imagine tentar manipular uma população onde cada mente tem seu próprio caminho – mesmo que cego e curto. Seria difícil, creio eu. Se o não cumprimento de uma determinada ação, por parte de um membro da sociedade, despertasse a ira de um Deus, mas o culpado não fosse temente a essa mesma entidade superior, o que aconteceria com a punição para tal afronta? (more…)

03/07/2008

A Arte da Dissimulação

Religiosos, munidos de uma necessidade apodíctica de autodestruição, buscam criar um habitat completamente alheio ao mundo real, uma espécie de realidade paralela construída pelo desespero e pela crescente necessidade de condenação intelectual, governado tão somente pelo homem-poderoso e por seus filhos terrenos.

Pergunto-me, primeiramente, se os fiéis são simplesmente amauróticos, ou se os mesmos possuem um desejo incomensurável de afastamento da vida real, a qual é, por essência, repleta de desilusões e sofrimentos. Certamente seria agradabilíssimo viver em um recanto iluminado pelas “graças divinas”, isolado de toda maldade e à prova de contestações! Um local virtual, imune a crimes e barbáries, uma vez que todos os filhos maculados pelo carinho (e proteção!) do senhor todo-poderoso estariam em um mesmo lugar, presumindo-se que toda a escória ficaria apenas espreitando, confusa e invejosamente, esse pequeno pedaço de paraíso.

Porém, tal recôndito divino, cingido por bênçãos espirituais, não existe.

Os filhos de Deus não possuem uma área terrena exclusivamente circunscrita. Aqueles que entregam suas vidas, já desprovidas de muitos valores cruciais para o desenvolvimento completo do ser enquanto ser, aos “encantos” da vida religiosa, coabitam com mentes divergentes um mesmo inferno inexpugnável. Logicamente, não há distinção territorial, pois basta sairmos à rua para vermos muçulmanos, cristãos, judeus, evangélicos e ateus circulando pelas mesmas calçadas, comprando nas mesmas lojas, cruzando os mesmos corredores prediais, criando conversas vazias, desprovidas de qualquer propósito, dentro de elevadores.

Vejo pessoas diferentes, com deuses diferentes, convivendo (desarmonicamente, é verdade) lado a lado. Lembro, ainda, que (more…)

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