Revendo a Religião

18/07/2011

A Multiplicação do Nada

Ao nos depararmos com alguma explanação alicerçada em um único e indivisível conceito ideológico, criamos uma cadeia de raciocínios lógica fundamentada no princípio da indissociabilidade: a construção racional provinda do conceito exposto deve admitir tão somente um único resultado, imutável, que de modo algum permita a criação de soluções alternativas ou parciais. A “verdade”, portanto, é uma só.

As religiões tentam seguir a premissa da verdade soberana: julgam irretocáveis seus princípios falaciosos, pregam que suas idéias são unas, indissolúveis, superiores a qualquer julgamento humano. O conceito de religião procura promover sua risível “onipotência”, pois sob o prisma religioso não há nada a retocar entre os dogmas e regras usados covardemente como escudo anti-realidade: Deus simplesmente É, a igreja simplesmente É, e nada pode ou deve ser dito contra tamanha afronta ao raciocínio lógico.

Entretanto, uma pergunta surge na mente numa velocidade vertiginosa: se as religiões são unas, se Deus é o todo de uma pluralidade indivisível, por que existem tantas igrejas com correntes “filosóficas” diferentes, ou até mesmo por que existem tantas subdivisões acondicionadas a uma mesma corrente, por assim dizer, filosófica (e aqui me refiro às Pentecostais, principalmente)? A resposta (more…)

14/10/2010

Idoneidade Moral e Religião

Filed under: ateísmo,religião — jorgesneto @ 11:05 pm
Tags: , , , , , , , , ,

Sou ateu. Não procuro silenciar minhas perguntas deglutindo informações fabricadas por criaturas inescrupulosas que julgam possuir conhecimento profundo sobre coisa nenhuma, ou seja, sobre Deus. Abdico de seguir um ensinamento que traz como único “benefício” a condenação racional, pois prefiro deixar fluir em minhas veias a doce vacina do pensamento crítico e racional. Não enxergo Deus em nada, afinal, Deus não passa de uma solução criada por homens oportunistas que necessitavam comandar uma massa populacional em constante crescimento, e nada melhor do que a coerção e o medo para controlar criaturas fracas e inertes racionalmente.

Possuo pensamentos que diferem da grande maioria da população brasileira e que geralmente acabam entrando em conflito com os princípios ideológicos dessa grande massa. Através do prisma distorcido desse imenso grupo, torno-me a personificação da falta de caráter e escrúpulos, como se meus princípios ferissem as leis de convivência tal como a lâmina da espada fere a pele nua.

A sociedade que ainda segue os trilhos do pensamento bitolado não consegue enxergar a pessoa que está vinculada ao pensamento ateísta, criando, desse modo, um estereótipo totalmente incoerente. Ateus passam a ser pessoas ruins, e ponto.

Será que ateus são todos indivíduos desprezíveis? Será que todos os religiosos possuem uma idoneidade moral acima de qualquer suspeita? (more…)

16/04/2010

Ser Cristão

Liberdade. Esse belo vocábulo é mais do que um agrupamento de letras, é uma filosofia de vida. O embrião da humanidade teve sua história primitiva baseada na liberdade, embora com o decorrer dos anos, o conceito intrínseco na palavra veio sendo diminuído até assumir a mínima proporção de ideal inalcançável. Embora a liberdade possa ser considerada por muitos um devaneio utópico, consegue ainda se fazer presente em uma das principais escolhas que o homem pode realizar durante seu período de existência: pode-se escolher continuar livre ou condenar-se por opção.

A lógica irrefutável fornece um caminho único, reto, plano, sem contradições, uma viagem confortável ao interior da mente humana para podermos localizar a essência do homem e dela obter as respostas às perguntas que frequentemente não temos paciência para responder. No interior da mente humana podemos encontrar a resposta para tudo aquilo que nos cerca, desde que tenhamos a placidez de exercitar a habilidade do questionamento. Assim funciona a ciência, onde não se tem a resposta de tudo, mas constantemente há a procura para preencher essas lacunas.

Somos seres privilegiados, mas devemos fazer por merecer esse privilégio. Exercitamos esse dom quando (more…)

06/04/2010

Deus: um Bipolar

Filed under: Deus,igreja,religião — jorgesneto @ 4:06 pm
Tags: , , , ,

“Precisa-se do deus mau tanto quanto do bom: afinal, não se deve a própria existência exatamente à tolerância, ao humanitarismo… Qual a importância de um deus que não conhecesse ira, vingança, inveja, escárnio, astúcia, atos violentos? […] Não se entenderia semelhante deus: para que ter um deus assim?” 1

Poucos são aqueles que sabem captar a verdade, mesmo que essa esteja convenientemente abscondida embaixo dos véus da ganância. Friedrich Nietzsche foi um desse poucos, pois trouxe um olhar racional, crítico, incisivo sobre a sórdida meia-verdade da igreja. Conseguiu enxergar o que outros apenas tateavam, em vão, no escuro de suas mentes: o deus paradoxal, supremo de si, o poço simultâneo de amor e ódio.

Como Nietzsche preconiza em seus escritos, deus, por essência, necessita ser ambíguo, afinal, não existe outro modo de adaptar uma criatura que pensa, chora, sente e reage como o homem às necessidades do próprio homem. O deus supremo, intocável, para ser aceito necessita (more…)

22/10/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (parte 2)

A Unidade de Deus

“Não existe mais que um único Deus”

A frase supracitada fornece, em poucas palavras, um resumo rápido e de fácil compreensão acerca da manipulação dos povos, ao mesmo passo que incita a discórdia com outras fontes ideológicas, afinal, exemplificando-se, o Deus cristão não parece ser representado da mesma forma que o Deus hindu.

A unidade de Deus, como prega esse dogma, foi e sempre será uma arma de alcance ilimitado na mão dos pregadores do homem-invisível, pois não passa de um engodo que consegue “inocentemente” adentrar em qualquer sociedade contrária a tal ideia (mesmo que nem sempre amistosamente), mas que acaba tendo um efeito cruel e devastador.

Pare um momento e reflita: nos primórdios da humanidade, civilizações notáveis cobriam a superfície terrestre – povos esses que possuíam conhecimentos avançados de astronomia, matemática, geografia e várias outras ciências. O que esses povos apresentavam em comum? A resposta é simples: o politeísmo. Maias, astecas, incas, egípcios, celtas, alguns povos ameríndios, todas politeístas.

O instinto humano de atribuir significados incríveis para o desconhecido não é uma novidade, pois é esse o alicerce do politeísmo. A chuva, os rios, as marés, a lua, tudo era compreendido como algum incomum, mágico, supersticioso, gerando a formação de inúmeros deuses, um para cada evento fantástico, com inúmeros seguidores.

Agora imagine tentar manipular uma população onde cada mente tem seu próprio caminho – mesmo que cego e curto. Seria difícil, creio eu. Se o não cumprimento de uma determinada ação, por parte de um membro da sociedade, despertasse a ira de um Deus, mas o culpado não fosse temente a essa mesma entidade superior, o que aconteceria com a punição para tal afronta? (more…)

Próxima Página »

Blog no WordPress.com.