Revendo a Religião

18/07/2011

A Multiplicação do Nada

Ao nos depararmos com alguma explanação alicerçada em um único e indivisível conceito ideológico, criamos uma cadeia de raciocínios lógica fundamentada no princípio da indissociabilidade: a construção racional provinda do conceito exposto deve admitir tão somente um único resultado, imutável, que de modo algum permita a criação de soluções alternativas ou parciais. A “verdade”, portanto, é uma só.

As religiões tentam seguir a premissa da verdade soberana: julgam irretocáveis seus princípios falaciosos, pregam que suas idéias são unas, indissolúveis, superiores a qualquer julgamento humano. O conceito de religião procura promover sua risível “onipotência”, pois sob o prisma religioso não há nada a retocar entre os dogmas e regras usados covardemente como escudo anti-realidade: Deus simplesmente É, a igreja simplesmente É, e nada pode ou deve ser dito contra tamanha afronta ao raciocínio lógico.

Entretanto, uma pergunta surge na mente numa velocidade vertiginosa: se as religiões são unas, se Deus é o todo de uma pluralidade indivisível, por que existem tantas igrejas com correntes “filosóficas” diferentes, ou até mesmo por que existem tantas subdivisões acondicionadas a uma mesma corrente, por assim dizer, filosófica (e aqui me refiro às Pentecostais, principalmente)? A resposta (more…)

29/04/2010

Mais do Mesmo: Pedofilia

Há aproximadamente dois anos escrevi um artigo acerca do crime de pedofilia praticado por aqueles que alastram de forma epidêmica as palavras de um ser imaginário. Era, de fato, dificil escrever sobre algo que realmente desperta na mente de qualquer pessoa sã um sentimento crescente de revolta, de impotência e, principalmente, de incompreensão, afinal, é completamente impossível entender como uma pessoa adulta pode enxergar numa criatura ainda no estágio primeiro de seu desenvolvimento um apelo sexual, uma provocação intencional. Crianças são puras, inocentes, e vislumbrar nessa inocência uma oportunidade de satisfazer uma parafilia é mais do que uma doença, é um ato repulsivo, uma afronta aos costumes que, ironicamente, são defendidos cega e duramente pela mesma instituição que acoberta tal barbárie.

Os dias foram, um a um, riscados dos calendários, e sinceramente desejava não ter que ser novamente mobilizado a escrever algo sobre esse tema.

Mea culpa.

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06/04/2010

Deus: um Bipolar

Filed under: Deus,igreja,religião — jorgesneto @ 4:06 pm
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“Precisa-se do deus mau tanto quanto do bom: afinal, não se deve a própria existência exatamente à tolerância, ao humanitarismo… Qual a importância de um deus que não conhecesse ira, vingança, inveja, escárnio, astúcia, atos violentos? […] Não se entenderia semelhante deus: para que ter um deus assim?” 1

Poucos são aqueles que sabem captar a verdade, mesmo que essa esteja convenientemente abscondida embaixo dos véus da ganância. Friedrich Nietzsche foi um desse poucos, pois trouxe um olhar racional, crítico, incisivo sobre a sórdida meia-verdade da igreja. Conseguiu enxergar o que outros apenas tateavam, em vão, no escuro de suas mentes: o deus paradoxal, supremo de si, o poço simultâneo de amor e ódio.

Como Nietzsche preconiza em seus escritos, deus, por essência, necessita ser ambíguo, afinal, não existe outro modo de adaptar uma criatura que pensa, chora, sente e reage como o homem às necessidades do próprio homem. O deus supremo, intocável, para ser aceito necessita (more…)

05/11/2009

Onde Está Deus?

Como qualquer integrante desse grande circo chamado humanidade, também tenho dias em que pensamentos negros, revoltantes e tristes povoam minha mente: pessoas tendo seus sonhos despedaçados com a mesma facilidade com que abrimos a janela de casa, jovens encurtando involuntariamente suas jornadas repletas de possibilidades pelo grotesco fato de um projétil de arma de fogo transpassar seus crânios, projétil esse oriundo do cano fumegante de um símbolo bélico empunhado por um traficante de drogas que sustenta o vício no irreal de milhares de outros jovens, os quais de fato estariam melhores com um buraco em seus crânios do que vivendo as migalhas do que sobrou de suas dilaceradas vidas.

Não obstante, vemos neonatos anencéfalos chegando a um mundo que jamais chegarão a conhecer; crianças dando adeus aos seus primeiros passos por sucumbirem a cânceres incuráveis; pessoas que gozam da mais plena saúde morrendo em desastres inexplicáveis; políticos contemptíveis atufando seus bolsos com dinheiro que deveria ser aplicado para aprimorar sistemas precários de saúde, educação e transporte (além de outros); policiais protegendo não a população indefesa, mas sim os malfeitores que despertam o terror e o medo em indivíduos corretos e trabalhadores; homens se matando por uma simples discussão de bar.

Os pensamentos negros, ao mesmo passo que nos conduzem por um mundo que fazemos questão de não enxergar, conseguem trazer um fino fio de esperança, pois nossas mentes são programadas justamente para tentar responder e consertar tudo aquilo que julgamos errado ou fora de lugar.

Mas, após pensar em tantos fatos que deveriam ficar trancafiados nos porões deploráveis da podridão, uma pergunta vem à tona: (more…)

03/11/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (Parte Final)

Deus é Eterno

“Deus não tem princípio nem fim”

Lendo-se o dicionário Houaiss, pode-se ter como uma das definições do vocábulo “invenção” o seguinte: “coisa imaginada que se dá como verdadeira; invencionice, fantasia”. Uma invenção, seguindo-se o contexto, é uma ideia fabricada, elaborada por uma mente realmente dotada de grande capacidade de abstração, mas que, como o próprio conceito diz, não passa de uma fantasia.

Assim é a invenção de Deus.

Deus não existe. Nunca existiu. Como algo que nunca foi de fato concebido pode ter princípio ou fim? A ideia é paulatinamente inconcebível! Deus passa a não apresentar limites devido a um pensamento estratégico da Igreja. Se houvesse uma limitação do poder ou da amplitude de Deus, nada mais poderia ser a ele atribuído. Para se alterar um plano fechado, um conceito com delimitações definidas, é necessário fazer intervenções, e, indubitalvemente, intervenções acabam criando inquirições de pessoas contrárias a tais atos! Se Deus fosse limitado, e a Igreja posteriormente quisesse ampliar sua magnitude, perguntas seriam levantadas, havendo um risco iminente de diminuição de credibilidade.

Para evitar altercações, a Igreja simplesmente retirou quaisquer limites de Deus: o homem-invisível passa a ser o tudo e o nada, o céu e a terra, o começo e o fim. Assim, tudo pode ser atribuído a Deus. Excluindo-se limites, Deus pode ser encontrado na cura milagrosa do câncer e também no crescimento magnífico da flor do campo, no nascimento de um novo ser e na formação de figuras curiosas nas nuvens, no calor do centro da Terra e na ausência de oxigênio em outros planetas. Deus passa a ter valores conflitantes, controversos, pleiteando o direito de ser tudo e nada simultaneamente! Colocando-se Deus em todo e qualquer lugar, perguntas são silenciadas, o poder de controle sobre o povo torna-se mais fácil e a prosperidade da Igreja segue sempre a pleno vapor.

Deus, de fato, não pode ter princípio nem fim. Deus é uma lenda, uma criação, um produto de um pré-consciente fantasioso, imaginativo. O homem-invisível é (more…)

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