Revendo a Religião

05/11/2009

Onde Está Deus?

Como qualquer integrante desse grande circo chamado humanidade, também tenho dias em que pensamentos negros, revoltantes e tristes povoam minha mente: pessoas tendo seus sonhos despedaçados com a mesma facilidade com que abrimos a janela de casa, jovens encurtando involuntariamente suas jornadas repletas de possibilidades pelo grotesco fato de um projétil de arma de fogo transpassar seus crânios, projétil esse oriundo do cano fumegante de um símbolo bélico empunhado por um traficante de drogas que sustenta o vício no irreal de milhares de outros jovens, os quais de fato estariam melhores com um buraco em seus crânios do que vivendo as migalhas do que sobrou de suas dilaceradas vidas.

Não obstante, vemos neonatos anencéfalos chegando a um mundo que jamais chegarão a conhecer; crianças dando adeus aos seus primeiros passos por sucumbirem a cânceres incuráveis; pessoas que gozam da mais plena saúde morrendo em desastres inexplicáveis; políticos contemptíveis atufando seus bolsos com dinheiro que deveria ser aplicado para aprimorar sistemas precários de saúde, educação e transporte (além de outros); policiais protegendo não a população indefesa, mas sim os malfeitores que despertam o terror e o medo em indivíduos corretos e trabalhadores; homens se matando por uma simples discussão de bar.

Os pensamentos negros, ao mesmo passo que nos conduzem por um mundo que fazemos questão de não enxergar, conseguem trazer um fino fio de esperança, pois nossas mentes são programadas justamente para tentar responder e consertar tudo aquilo que julgamos errado ou fora de lugar.

Mas, após pensar em tantos fatos que deveriam ficar trancafiados nos porões deploráveis da podridão, uma pergunta vem à tona: (more…)

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16/04/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (Parte 1)

Pergunto-me qual seria o método mais eficaz para se utilizar quando há a intenção de impor a outrem vários pensamentos desconexos. Respostas podem surgir aos montes, mas creio que o fracionamento das idéias em pequenas e imperceptíveis partes seria a resposta mais adequada. Semelhantes a pequenas drágeas, que podem ser engolidas aos poucos, em pequenas doses, as idéias iriam abdicando um espaço dentro das mentes mais despreparadas, gerando um inevitável acúmulo e surtindo o efeito desejado.

As inverdades da Igreja são introduzidas no pensamento dos cristãos exatamente dessa maneira. Afinal, como pegar uma grande e assustadora mentira e impô-la a milhões de pessoas de forma “fácil e indolor”? A resposta é um tanto quanto simples: basta fragmentá-la em quarenta e três frases desconexas, tornar esses fragmentos afirmações incontestáveis, através de violenta repreensão contra aqueles que ousarem duvidar da origem ou veracidade das mesmas e, pronto, tem-se criados os dogmas da Igreja Católica! Não somente a mentira assume o papel de incontestável como também acaba tornando-se desafiadora e perigosa, ao mesmo tempo em que ganha força e corrompe mentes desatentas e frágeis. (more…)

03/07/2008

A Arte da Dissimulação

Religiosos, munidos de uma necessidade apodíctica de autodestruição, buscam criar um habitat completamente alheio ao mundo real, uma espécie de realidade paralela construída pelo desespero e pela crescente necessidade de condenação intelectual, governado tão somente pelo homem-poderoso e por seus filhos terrenos.

Pergunto-me, primeiramente, se os fiéis são simplesmente amauróticos, ou se os mesmos possuem um desejo incomensurável de afastamento da vida real, a qual é, por essência, repleta de desilusões e sofrimentos. Certamente seria agradabilíssimo viver em um recanto iluminado pelas “graças divinas”, isolado de toda maldade e à prova de contestações! Um local virtual, imune a crimes e barbáries, uma vez que todos os filhos maculados pelo carinho (e proteção!) do senhor todo-poderoso estariam em um mesmo lugar, presumindo-se que toda a escória ficaria apenas espreitando, confusa e invejosamente, esse pequeno pedaço de paraíso.

Porém, tal recôndito divino, cingido por bênçãos espirituais, não existe.

Os filhos de Deus não possuem uma área terrena exclusivamente circunscrita. Aqueles que entregam suas vidas, já desprovidas de muitos valores cruciais para o desenvolvimento completo do ser enquanto ser, aos “encantos” da vida religiosa, coabitam com mentes divergentes um mesmo inferno inexpugnável. Logicamente, não há distinção territorial, pois basta sairmos à rua para vermos muçulmanos, cristãos, judeus, evangélicos e ateus circulando pelas mesmas calçadas, comprando nas mesmas lojas, cruzando os mesmos corredores prediais, criando conversas vazias, desprovidas de qualquer propósito, dentro de elevadores.

Vejo pessoas diferentes, com deuses diferentes, convivendo (desarmonicamente, é verdade) lado a lado. Lembro, ainda, que (more…)

15/05/2008

O Novo (Anti) Cristo

Um questionamento despontou em minha mente: se Jesus Cristo, pregador afincado, exímio político e controlador de grandes massas populacionais submissas de fato existiu, é aceitável que em mais de dois mil anos algum outro pregador conseguiria reunir características semelhantes, ou até mesmo, de certo modo, superiores.

Então, quem seria esse novo messias, essa nova criatura tocada pelo homem-invisível? Um papa, um pastor, talvez um missionário ou um novo santo?

Não, nenhum desses.

Certamente, qualquer cristão encontraria uma (falsa) dificuldade em achar um substituto para o “senhor Jesus”, mas creio que também conseguiriam enumerar vários candidatos que poderiam receber o título de “seguidor de Jesus”, ou “procurador de Jesus”.

Contudo, posso apostar todos os meus ideais para defender que nenhum deles sequer chegaria a pensar no “meu candidato”.

Antes de nomeá-lo (até com certa repugnância e inquietação), vou expor as bases do meu pensamento. Acredito que alguns irão concordar; outros indubitavelmente irão me odiar.

Leia atentamente as seguintes características do candidato a novo messias, e veja se não há uma concordância em vários pontos com as virtudes atribuídas à figura de Cristo: artista talentoso, de admirável inteligência, dominador notável das palavras, poderoso formador de opinião, conhecedor profundo de técnicas de expressão corporal e controle de público. Não obstante, adotou o cristianismo como sua religião “oficial”, pois contava com total apoio da Igreja Católica e seus membros deliqüescentes.

Mas nem só de qualidades é composto um “homem santo”, portanto enumero alguns “defeitos”: esse novo messias também foi (more…)

23/03/2008

O Preço da Morte

Nossa cultura nada mais é do que uma coletânea de informações oriundas de diversos povos e mentes, formulada através de infinitas combinações de idéias, as quais acabam sendo incorporadas como algo banal e corriqueiro, porém de valor inestimável e presença constante. Vários hábitos que hoje possuímos fixam suas raízes num passado remoto, como as danças, as comidas, os credos e as superstições.

Algumas situações enfrentadas no mundo hodierno possuem hoje um caráter místico exagerado em conseqüência de anos de transformações (e imposições) ocorridas em mentes despreparadas, constituites de sociedades que foram adaptando outras crenças e acatando novas correntes filosóficas, para, por fim, juntar tudo num mesmo palanque ideológico, idolatrado por muitos e discutido por poucos. A morte, por exemplo, é ainda considerada um tabu, uma vez que não vislumbro ninguém sentado em uma mesa de bar com os amigos para discutir a morte do vizinho: o falecimento é encarado como algo supremo, indiscutível, impassível de opiniões; um assunto impraticável, porém inquietante.

Por que não discutimos a morte? É uma questão difícil, porém tentarei responder de forma simplória, contudo, contundente: porque as religiões não querem que a morte seja discutida. O falecimento é a ponte imaginária que conecta um indivíduo comum a um ser celestial, de gritante bondade e incontestável inteligência (espiritual ou funcional). Se a morte fosse assunto de discussões, essa ponte imaginária simplesmente ruiria.

Qual é, então a desculpa utilizada por qualquer pregador quando algum indivíduo falece, independente de causa? Os sermões praticados por qualquer pregador religioso possuem um conteúdo parecido com este:

“Ora, assim quis o nosso senhor. Certamente, no céu, pessoas boas também são necessárias. Lá, poderão gozar do privilégio de sentarem próximas ao criador, assistindo de camarote ao seu triunfante governo”.

Alguém morre porque Deus assim quis, e ponto final. Ninguém morre de câncer, tuberculose, pneumonia, acidente de trânsito, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral ou cirrose hepática. Essas patologias nada mais são do que um castigo divino, um bilhete de ida para o mundo dos céus, onde um Deus “piedoso” aguarda de braços abertos, a não ser, é claro, que você tenha que fazer um escala no purgatório (e, provavelmente, você não escapará dessa visita).

A morte é um fato, a única certeza absoluta na vida de qualquer indivíduo. Vivo hoje sabendo que um dia (more…)

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