Revendo a Religião

05/03/2008

“Escolho, Pois, a Ciência”

Imagine um mundo onde o brilhantismo dos cientistas não exista. Revoluções na área da saúde, como vacinas, profilaxias, tratamentos ou curas seriam apenas teoremas tão implausíveis como o criacionismo. Continuaríamos tratando as doenças como povos pré-históricos, buscando o inalcançável em ervas e poções, alimentando esperanças cada vez menores e desgarradas de verdadeiro significado. Porém, se fôssemos acostumados desde o início dos tempos a vivermos sem o auxílio das ciências, não estranharíamos, afinal, nunca teríamos entrado em contato com nenhuma dessas maravilhas que pesquisadores disciplinados e empenhados tornaram, com muito afinco, realidade.

Agora abra qualquer livro de medicina interna e veja quantos milhares de doenças o homem já catalogou, e perceba quantas dessas já têm as suas tão almejadas curas. Se você tiver mesmo interesse pelo assunto, acompanhe o retrospecto de erros e tentativas no intuito de promover a cura, e perceba como os esforços de nossos cientistas são contemplados, inúmeras vezes, com triunfantes vitórias. A tecnologia e o estudo aplicado trouxeram revoluções indescritíveis ao cotidiano das populações, sendo esse um fato incontestável até pelo mais fervoroso cristão.

Essa é a realidade que você vive: a busca do desconhecido, a vitória sobre o antes considerado invencível, o triunfo de mentes brilhantes. Em meio à podridão de manchetes que só fazem destacar os banhos de sangues em conflitos irracionais, fatos como a vacina contra o vírus HPV, principal causador do câncer de colo uterino, ou as novas técnicas de cirurgias minimamente invasivas, são notícias reconfortantes, sinais de que ainda existem pessoas que acreditam em si e não aceitam a derrota quando do primeiro sinal de erro. Existem pessoas excepcionalmente incríveis, que têm o poder de mudar a Medicina e o que hoje consideramos como doenças crônicas degenerativas, como o Mal de Parkinson, o Mal de Alzheimer, a Distrofia Muscular de Duchenne e a Doença de Machado-Joseph, dentre outras várias que preenchem um longo capítulo nos livros de neurologia. Essas pessoas são os pesquisadores que batalham pelo direito de uso das células-tronco em benefício da sociedade.

Mas, de que adianta um exército de mentes geniais se essas não puderem ser usadas em prol da humanidade? Em quase nada, eu diria. Pois é exatamente isso que a nova Campanha da Fraternidade, endossada pela CNBB defende: a inutilização de uma técnica revolucionária de tratamento, que pode trazer benefícios até antes considerados impossíveis, trazendo um novo significado a vidas dolorosamente penalizadas com o sofrimento incessante e interminável.

Ir de encontro às pesquisas sobre a manipulação de células-tronco embrionárias é arremessar anos de conquistas científicas no mesmo desfiladeiro em que se despedaçou o conhecimento na Idade Média: (more…)

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22/02/2008

Religião: Um Mal Antigo

Filed under: alienação,ateísmo,história antiga,religião — jorgesneto @ 4:40 pm
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Há algum tempo, estava assistindo a um programa de televisão denominado “Cidades do Mundo Antigo”, no Discovery Channel. O programa retratava os hábitos de vida e um pouco da cultura de um povo chamado pelos estudiosos de Lambayeque (o local do estudo é famoso pelas “Pirâmides de Túcume”), o qual foi completamente dizimado após a chegada dos espanhóis ao Peru.

Voltando-se mais de quinhentos anos na história, poderíamos constatar que esse povo não foi o único a ser extinto pela jactância infindável dos conquistadores europeus, os quais traziam em suas “bagagens” tudo o que era necessário para conquistar povos brilhantes, de intelecto anos-luz a frente dos néscios europeus: a força bruta, a intenção de guerra e a palavra de Deus.

Estive lendo, tempos atrás, um livro denominado “O Livro Negro do Cristianismo”¹. Nessa obra, havia um capítulo inteiramente dedicado aos absurdos cometidos pela igreja no mundo moderno. Quando li as atrocidades praticadas pelos colonizadores, avalizados pelos primeiros jesuítas, fiquei perplexo, impotente e cabalmente aterrorizado.

Fala-se muito sobre o genocídio judeu cometido por Adolph Hitler e seus exércitos anti-semitas. Não só a igreja católica fez questão de se abster de qualquer meio de afrontamento aos nazistas como também cometeu ato de igual ou maior proporção na época da colonização sul-americana! Os colonizadores e “soldados de Jesus” gozavam de um sadismo que transpassava a barreira do grotesco, uma vez que as práticas de tortura eram comuns, compondo um cenário cotidiano de dor, desespero, prepotência e irracionalidade.

Não quero perder muito o objetivo principal dessa postagem, pois as barbáries cometidas na época da colonização certamente comporiam outro artigo, então, voltemos ao documentário do povo Lambayeque.

Segundo os estudiosos, centenas de pirâmides foram erguidas com o esforço sobrenatural dos locais, com o propósito de acolher os sacerdotes maiores, aqueles que realmente mantinham o controle dos demais membros da “tribo”. Havia uma crença politeísta, uma vez que era criado um “deus” para os vários fenômenos naturais, os quais obviamente não poderiam ser explicados com o conhecimento inerente à época.

O mecanismo de funcionamento dessa sociedade era um tanto quanto simples: as pirâmides eram erguidas para mimetizar as grandes montanhas, consideradas – conforme o ingênuo conhecimento dos habitantes locais – as moradas dos grandes deuses. Sendo assim, aquele que morava no alto da pirâmide era uma espécie de (more…)

12/02/2008

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