Revendo a Religião

03/11/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (Parte Final)

Deus é Eterno

“Deus não tem princípio nem fim”

Lendo-se o dicionário Houaiss, pode-se ter como uma das definições do vocábulo “invenção” o seguinte: “coisa imaginada que se dá como verdadeira; invencionice, fantasia”. Uma invenção, seguindo-se o contexto, é uma ideia fabricada, elaborada por uma mente realmente dotada de grande capacidade de abstração, mas que, como o próprio conceito diz, não passa de uma fantasia.

Assim é a invenção de Deus.

Deus não existe. Nunca existiu. Como algo que nunca foi de fato concebido pode ter princípio ou fim? A ideia é paulatinamente inconcebível! Deus passa a não apresentar limites devido a um pensamento estratégico da Igreja. Se houvesse uma limitação do poder ou da amplitude de Deus, nada mais poderia ser a ele atribuído. Para se alterar um plano fechado, um conceito com delimitações definidas, é necessário fazer intervenções, e, indubitalvemente, intervenções acabam criando inquirições de pessoas contrárias a tais atos! Se Deus fosse limitado, e a Igreja posteriormente quisesse ampliar sua magnitude, perguntas seriam levantadas, havendo um risco iminente de diminuição de credibilidade.

Para evitar altercações, a Igreja simplesmente retirou quaisquer limites de Deus: o homem-invisível passa a ser o tudo e o nada, o céu e a terra, o começo e o fim. Assim, tudo pode ser atribuído a Deus. Excluindo-se limites, Deus pode ser encontrado na cura milagrosa do câncer e também no crescimento magnífico da flor do campo, no nascimento de um novo ser e na formação de figuras curiosas nas nuvens, no calor do centro da Terra e na ausência de oxigênio em outros planetas. Deus passa a ter valores conflitantes, controversos, pleiteando o direito de ser tudo e nada simultaneamente! Colocando-se Deus em todo e qualquer lugar, perguntas são silenciadas, o poder de controle sobre o povo torna-se mais fácil e a prosperidade da Igreja segue sempre a pleno vapor.

Deus, de fato, não pode ter princípio nem fim. Deus é uma lenda, uma criação, um produto de um pré-consciente fantasioso, imaginativo. O homem-invisível é o personagem central de um notável best-seller, que, devido aos méritos de sua agressiva “campanha de marketing”, acabou adentrando o inconsciente coletivo e por fim criou raízes no solo fértil de mentes improdutivas.

Felizmente, podemos criar uma maneira de nos consolarmos quando passamos a crer que muitas ideias acabam sendo condizentes com seu tempo: seria constrangedor vermos pessoas freqüentando templos de adoração ao personagem Harry Potter.

Santíssima Trindade

“Em Deus há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; e cada uma delas possui a essência divina que é numericamente a mesma”

Deus é, resumidamente, a compilação de si mesmo.

Confuso, realmente.

O dogma prega que Deus é composto por três pessoas, as quais possuem o mesmo valor divino. A santíssima trindade faz apenas dividir a hegemonia de um ente imaginário entre três produtos fabricados por mentes imaginativas, ampliando-se a “área de atuação” do homem-invisível.

O pai, por definição, habita os céus, controlando suas formigas humanas do longe, apenas enviando esporadicamente alguma praga para que o homem nunca deixe de atribuir o devido valor ao mundo que o cerca, ou mesmo criando espetáculos naturais, como o arco-íris ou as fascinantes vegetações da Mata Atlântica, fazendo com que o homem desprovido de senso crítico atribua ao ente imaginário também espetáculos belíssimos, dignos de contemplação e adoração.

O filho, Jesus, é a manifestação carnal do pai na Terra. É a escada para o impossível, uma ligação entre mentes fragilizadas e fracas e um ser todo-poderoso, egoísta e iracundo, um embuste para atrair aqueles que realmente não dão o devido valor ao seu dom de livre arbítrio.

O Espírito Santo, seguindo-se sempre a ideologia cristã, refere-se à presença de Deus na forma experimentada por um ser humano. O Espírito Santo é responsável por atribuir dons magníficos àqueles que se deixam inundar por sua força. Alguns dos dons atribuídos por tal espectro são: palavras da sabedoria, palavras do conhecimento, fé, dons de curar, operação de maravilhas, profecia, discernimento de espíritos, variedade de línguas e interpretação de línguas. Segundo a lenda, os dons são distribuídos de maneira aleatória e individual, sempre de acordo com as circunstâncias. Esse espectro divino nada mais é do que uma arma no processo de engambelação do povo, uma vez que tenta criar situações em que seres comuns passem a desenvolver habilidades excepcionais, nunca antes vistas, fortalecendo a imagem de um ente imaginário que pode propiciar benefícios notáveis àqueles que o seguirem. É uma espécie de política de pão-e-circo situada em uma esfera espiritual.

Unindo-se as terças partes da tríade, constatamos que a ideia da Trindade é apenas um meio de dividir obrigações, ampliando o universo de possibilidades de orações dos cristãos. Cria-se um chefe, a quem se deve recorrer sempre em última instância, um filho, que chegou a sofrer pela humanidade, e que de tal forma desperta o sentimento de solidariedade e compaixão naqueles que gostam de ver o lado humano, social, guerreiro do ser humano e um espectro divino, que atende as mentes mais delirantes, proporcionando uma fonte de poderes incompatíveis com a realidade.

Essa trindade, porém, é completamente recheada de falhas. Todos esses conceitos são simplesmente cristãos, mas vale lembrar que vivemos cercados por uma quimera de religiões! Sendo assim, qual é a credibilidade da Santíssima Trindade? Nenhuma! Se compararmos o Espírito Santo cristão com o mesmo ente Espírita, a diferença será gritante! O Deus judaico parece ser completamente diferente do deus Budista, e Jesus, num olhar islâmico, representa-se somente como uma ferramenta para propagandear a chegada de Maomé, já que o islamismo não reconhece a Santíssima Trindade.

Não há maneira de acreditar em uma trindade de seres e espectros magnânimos se aqueles que supostamente vieram à Terra para divulgar seus preceitos religiosos acabam entrando em conflito por possuírem diferentes versões sobre um mesmo assunto que, a priori, deveria provocar uma resposta unânime.

Outra vez mais a igreja acaba enforcando-se em sua própria teia de mentiras. E, de fato, não haveria como ser diferente.

 

 

 

 

 

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1 Comentário »

  1. A minha resposta de simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velhote (88anos),é que gostei imenso da leitura a qual veio reforçar o meu ateísmo.Aqui o meu Obrigado a quem teve esta ideia de estampar na Internet êstes argumentos dentro da Lógica da Razão,contra os quais a Seita Negra dos biblico-judaico-cristãos não tem argumento válido,pois a resposta que os Vigários de Cristo apresentam é simplesmente a Fé,a crença no Absurdo.

    Comentário por José Gonçalves Cravinho — 04/07/2012 @ 2:07 pm | Responder


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