Revendo a Religião

16/04/2009

Dos Dogmas Sobre Deus (Parte 1)

Pergunto-me qual seria o método mais eficaz para se utilizar quando há a intenção de impor a outrem vários pensamentos desconexos. Respostas podem surgir aos montes, mas creio que o fracionamento das idéias em pequenas e imperceptíveis partes seria a resposta mais adequada. Semelhantes a pequenas drágeas, que podem ser engolidas aos poucos, em pequenas doses, as idéias iriam abdicando um espaço dentro das mentes mais despreparadas, gerando um inevitável acúmulo e surtindo o efeito desejado.

As inverdades da Igreja são introduzidas no pensamento dos cristãos exatamente dessa maneira. Afinal, como pegar uma grande e assustadora mentira e impô-la a milhões de pessoas de forma “fácil e indolor”? A resposta é um tanto quanto simples: basta fragmentá-la em quarenta e três frases desconexas, tornar esses fragmentos afirmações incontestáveis, através de violenta repreensão contra aqueles que ousarem duvidar da origem ou veracidade das mesmas e, pronto, tem-se criados os dogmas da Igreja Católica! Não somente a mentira assume o papel de incontestável como também acaba tornando-se desafiadora e perigosa, ao mesmo tempo em que ganha força e corrompe mentes desatentas e frágeis.

Como havia comentado em meu último artigo, “A Verdade Sobre os Dogmas”, irei rebater, um a um, os quarenta e três dogmas da Igreja Católica.

Didaticamente, podemos dividir os quarenta e três dogmas em oito grupos: a) os dogmas sobre Deus; b) os dogmas sobre Jesus Cristo; c) os dogmas sobre a criação do mundo; d)os dogmas sobre o ser humano; e) os dogmas marianos; f) os dogmas sobre o Papa e a Igreja; g) os dogmas sobre os sacramentos e; h) os dogmas sobre as últimas coisas.

A princípio, irei dissertar sobre o primeiro grupo, por assim dizer, o qual abrange os cinco primeiros dogmas: “A Existência de Deus”, “A Existência de Deus como objeto de fé”, “A unidade de Deus”, “Deus é eterno” e “Santíssima Trindade”. Para não criar artigos muito longos, irei começar dissertando sobre os dois primeiros dogmas.

A Existência de Deus

“A idéia de Deus não é inata em nós, mas temos a capacidade para conhecê-Lo com facilidade, e de certo modo espontaneamente por meio de Sua obra.”

Fico um pouco feliz ao perceber que até mesmo a Igreja reconhece que os seres humanos nascem livres! Pena que tão logo aprendemos a falar e a reconhecer lentamente o mundo que nos cerca já somos atingidos em cheio pela fé cristã – ou pela imposição da mesma. A igreja pode reconhecer que nascemos livres, mas faz questão de salientar que marchamos cegamente em direção a um abismo que nos fará cair em queda livre rumo à morte racional.

Diz o dogma que podemos conhecer facilmente Deus pela sua obra. Pergunto-me: qual obra? Espero que a resposta não se faça encontrar numa teoria infantil como a de Adão e Eva! A igreja nada faz além de atribuir Deus àquilo que até hoje não se sabe explicar com plena certeza. E vale ainda lembrar que essa “obra” de Deus inclui séculos de tortura, assassinatos e barbáries, os quais jamais poderão ser esquecidos.

Risível, ainda, é encontrar a palavra “espontaneamente” em meio às falácias católicas! O único gesto espontâneo da igreja é o de abrir as mãos para receber os dízimos e doações provindas daqueles que acreditam ser possível comprar honestidade, perdão e consciência livre através do dinheiro!

A Existência de Deus como Objeto de Fé

“A existência de Deus não é apenas objeto do conhecimento da razão natural, mas também é objeto da fé sobrenatural”

Esse dogma estaria quase totalmente certo, não fossem as duas últimas palavras. Realmente, se a existência de Deus dependesse única e exclusivamente da razão natural, essa estória ridícula não teria perdurado mais do que alguns poucos anos. A partir do momento que houvesse uma mente verdadeiramente pensamente, Deus passaria do patamar de ser supremo para o de invenção desprezível em um piscar de olhos.

Entretanto, existe o que a igreja chama de “fé sobrenatural”, que nada mais é do que a imposição da idéia de Deus e sua “soberania” através de crendices e folclores cristãos, como milagres, manifestações fantásticas, chagas, possessões e santificações, constituindo assim uma resposta da Igreja às constatações científicas. Porém, nenhum elemento da fé sobrenatural, seja ele qual for, pode ser considerado verdadeiro. Os milagres são fabricados para elevar a tendência da mente humana de acreditar no impossível; as manifestações fantásticas, como as aparições da Virgem Maria, servem para alimentar nosso apetite por estórias insólitas, e para eternizar o ciclo de mentiras (invariavelmente, todo ano somos surpreendidos com notícias de aparições do rosto de Jesus no pote de margarina, ou no sabão de coco), pois são facilmente geradas pela própria vontade do homem de provar o que se sabe ser improvável; as chagas apenas fortificam as manifestações fantásticas, mas vão mais a fundo, pois levam pessoas a cometer atos contra sua própria integridade física, no intuito de fortalecer uma grande mentira coletiva; as possessões nada mais são do que explicações cristãs para manifestações psiquiátricas que buscam ratificar a existência de um Deus bom e misericordioso e de um Diabo mau e assustador, ou seja, a eterna briga do bem e do mal; e as santificações nada mais são do que tentativas forçadas de criar uma conexão entre o homem bom e amável, respeitador e fiel ao decálogo – ou seja, uma marionete da igreja – com o seu criador, fazendo com que os “pecadores” sigam à risca os prenúncios da igreja, o que, automaticamente, aumenta o número de fiéis e eleva as riquezas da igreja à enésima potência!


Anúncios

4 Comentários »

  1. Os “mandantes” religiosos, meus caros, são um bando de canalhas que espalham o vírus psicológico da vagabundice prometida, em cima da promessa de vida mansa, e riquezas e deleites(pra os que se submeterem à forquilha da escravidão entregando seus pertences e a própria consciência). Os que caem nesse engôdo são como as vítimas do golpe do vigário: querem ser mais “espertos” e mais “santos” e “abençoados” que os vigaristas. São vítimas da própria ganância, do próprio interesse egoísta disfarçado de “amor” divino, são vítimas de sua própria soberba e capacidade de mentir até pra si mesmos, e, tanto que chegam a concordar deslavadamente entre si que são “reinos” de mentirosos, maus, e falsos.
    A “Deseducação” a que estamos submetidos nesta absurda amancomunação de (des)governo descambou para o mais espúrio tutelamento dos vínculos civis; os “protetores” das famílias são canalhas que engendram a violência e passam-se pra nós como moralistas “defensores” da vida, e seus comparsas estão enfiados onde nunca deveriam estar, na política, na polícia, nos serviços assistenciais, na imprensa, etc; os capangas desse esgoto usam o código “abençoado”, “paz”; e os camuflados “sêlos” da imundície:“crença”: são abarrotados na Sociedade (por capangas dos parasitas), na imposição e aumento dos séquitos do Terror religioso disfarçado como “do bem”.
    Usando a “técnica” podre (dos diplomas sujos dependurados em embustes) de MENTIR até o fim, o Vigarista-Fantoche-Mor tá aí depois de escrachada toda a podridão que vimos; e os dissimuladores nos tem feito submetidamente (por religião) engolir. A salafra “heroína” da teo-pulhítica (agora inacreditavelmente revelado como o conluio “Socialismo Divino”, esfrega na nossa cara o casamentoda Estrela encarnada, a Foice da miséria e Pomba imunda), uma senhora”respeitada”, cospe que roubou, matou, “entregou” inocentes(traíra), na cara abobada da senzala-mista chafurdada no caminho da Índia da TV. O Brasil pena na mão e na bôca de vagabundos político-religiosos que vociferam vomito na mídia formatadora da desgraça civil.

    Comentário por Haddammann — 22/04/2009 @ 10:39 am | Responder

  2. “A feiura vem do arremedo de expressao, da nenhuma personalidade, do nao ser boi e parecer com boi, um vai com as outras em tudo, mas no que E preciso ta fora por falta de coragem, por nao ser nada, apenas um(a) baba de cachorro, um viciado em big brother, uma excreçao repetida de pastor e padre e outros vomitos desse tipo, um escravo de tradição bitoladora, ou seja: um ajudante de meio gandula recuado pra time lanterninha fora de competiçao. Chegamos ao ponto de tal pasmaceira e enganaçao da garotada que nunca antes na Historia se impetrou tal disparate: Toque de recolher pra os mais plenos detentores da liberdade: Os infantes e os adolescentes. Viramos bichos tocados pela Teo Pulhitica que impos nos o embuste pavoroso e nojento do “Socialismo Divino”. E o precipicio da Civilizaçao. Mas ha sangue de homem na veia do Brasil”. Esta ai o repudio veemente do Pensador Haddammann. Impedem que ele se pronuncie; mas nos somos tambem o Brasil por ele. ( o teclado pifou)

    Comentário por Shere W. — 24/04/2009 @ 10:00 am | Responder

  3. por isso que eu não sou ateu, olha como vcs são revoltados! Busque a Deus e sinta Paz!!!

    Comentário por Adilson — 16/03/2010 @ 11:14 pm | Responder

    • Caro Adilson,

      Não somos revoltados, somos vivos, seres pensantes, inquietos, sedentos por explicações! Não vemos o mundo como uma obra pronta, mas sim como um complicado objeto dotado de um espesso manual de instruções. Não vivemos para servir o imaginário: servimos nossas mentes, a ciência, aqueles que explicam os motivos, ao invés de sepultar os achados.

      Obrigado pelo comentário!

      Comentário por jorgesneto — 26/03/2010 @ 12:58 am | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: