Revendo a Religião

16/06/2008

O Partido Religioso

É notável a influência que um calhamaço de páginas desconexas e incongruentes exerce na vida de pessoas deliberadamente afastadas das luzes do conhecimento. É, porém, assustador notar o sistema organizacional que gerencia essa complexa rede de pessoas submissas e simultaneamente frágeis.

Consecutivamente, percebo que a religião e a política são temas convergentes, por não dizer complementares. Os métodos de persuasão, de embustes pré-definidos, são perceptíveis em ambas as áreas degeneradas da cultura humana, e a força centrípeta que as falácias produzidas tanto pela política quanto pela religião exerce sobre as massas é impressionante, puxando para o centro de suas instituições deploráveis mentes errantes, desprovidas da capacidade de diferenciação entre o real e o objetivo e o irreal e fantástico.

Em comícios ou em celebrações religiosas pode-se constatar, indubitavelmente, o reforço de uma idéia desconexa pré-existente através de uma massa inculta homogeneamente insensata, isto é, o partidário ou o devoto já atendeu o requisito de ter passado pela “primeira etapa no processo de adestramento”, situação em que os ideais partidários (abrangendo-se aqui tantos os políticos quanto os religiosos, pois o princípio de ação é o mesmo) vão sendo paulatinamente difundidos e incorporados ao íntimo dessa “vítima da propaganda”, enraizando em sua índole a necessidade de formação de uma população diferenciada, composta somente por aqueles que possuem o mesmo sentimento lamentável de dependência e irracionalidade. Desse modo, quando chega ao seu encontro religioso, o crente não se depara com uma reunião composta de falas equivocadas e adeptos distantes, mas sim com uma nova ordem, uma grande família que compartilha os mesmos pensamentos irreais e a mesma necessidade de submissão intelectual. Uma vez adestrados, os religiosos não abandonam mais seu novo lar, obedecendo fielmente aos seus donos, tais como cães.

Um religioso não busca a igreja para ouvir estórias fantásticas, ou para fortalecer o seu espírito com banhos de otimismo. Um religioso vai à igreja para ouvir aquilo que ele, incontestavelmente, sabe que irá ouvir, uma vez que as palavras podem mudar, mas o teor sempre permanecerá o mesmo.

Não há novidade alguma em uma missa. Tudo o que é repassado pelo pregador já foi ouvido, processado, discutido e incorporado por todos os correligionários espirituais em tal evento presentes. Porém, realmente não há necessidade de novos temas, visto que o fiel, por excelência, não possui um poder de raciocínio desenvolvido, sendo que longas palavras maquiadas pela beleza da escrita não surtem o mesmo efeito que palavras simples, porém consistentes e repetitivas.

A grande virtude dos pregadores é o conhecimento de seu público-alvo. Ao invés de se produzirem textos inteligentes, os quais permitem uma reflexão que exige muito mais do que apenas uma área cortical cerebral, usa-se a técnica da repetição, que tem o poder de cimentar uma idéia no íntimo da psique humana. Assim funciona a música que você ouve todos os dias, assim funciona a religião.

O religioso não crê em Deus, em seu majestoso império ou em seu filho-prodígio, mas sim em uma estória que vem sendo repetida a milhares de anos, construída como uma fábula incrível e, aparentemente, indestrutível. A religião pode ser resumida a uma incurável mentira patológica, que consome vagarosamente o senso de realidade da humanidade.

É, entretanto, impensável privar hoje a sociedade de seus credos religiosos. Se a religião fosse equiparada a um vil seqüestrador, o religioso seria a vítima acometida pelo Mal de Estocolmo. O religioso criou um vínculo tão forte com a igreja que, mesmo ciente das mentiras cotidianas dirigidas a ele e aos seus correligionários, consegue manter uma relação de submissão e impotência assustadoramente inegável. Não obstante, o fiel ainda desperta em si um espírito de compaixão e de proteção que vai além da compreensão humana, defendendo com todo o seu vigor o seu próprio torturador.

Um religioso não é feliz enquanto vivo, uma vez que a sua maior ambição é encontrar na morte um sentido para sua nula existência em vida. O verdadeiro fanático religioso abdica de si com uma crueldade desumana, vendendo o que sobra de seu inerte corpo a sua causa falida: a perpetuação de sua grotesca espécie.

Esse ente tem como missão vagar como um sonâmbulo procurando trazer para os braços dessa macabra instituição chamada igreja aqueles que, por seus próprios meios, não conseguem manter o curso de suas vidas em um plano reto, sem solavancos, e que acreditam ser possível reiniciar o percurso sem sofrer atrasos ou avarias simplesmente recorrendo ao auxílio divino.

Através de pregadores e mitingueiros, o partido religioso se alastra na mesma velocidade com que o fogo consome um barril de pólvora. Dotada de partidários cegados pela ignorância e de membros superiores tomados pela ganância, essa instituição torna-se única e inabalável, e continua a controlar as grandes massas populacionais ao redor do globo, impondo uma atmosfera de escravidão intelectual, ao menos até que os seus próprios componentes comecem a enxergar a situação pelo prisma da racionalidade.

Infelizmente, é melhor esperarmos sentados.

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1 Comentário »

  1. OU TOMAMOS PROVIDÊNCIAS AGORA, OU NADA PODEREMOS ESPERAR NOS 41 ANOS ASSINALADOS COMO PONTO DE NÃO-RETORNO PARA A TERRA E SEU CLIMA.
    Porque o problema maior não está nas indústrias. Ele está no consumo como índice (falso de) desenvolvimento, está no multiplicado coacervado de gente como que num estado esquisóide e anencéfalo. O problema está no ser humano, na pulhítica, e na mais sórdida, estúpida, descabida, insana, fútil, e criminosa instituição agarrada na Sociedade: A assassina, predadora, e degeneradora instituição religiosa; com seus conluios chamados igrejas, conjurações, e seus lacaios e bandos de asseclas.

    NOTEM: O elemento que passa o cargo de Presidente dos EUA, CONFESSA descaradamente sua IRRESPONSABILIDADE, dizendo que baseou em relatórios falsos, uma mortandade terrorista e assassinato genocida sobre civis inocentes. Ninguém queria ouvir, ou não era dado a ninguém ouvir, mas foi amplamente dito que havia indícios de erros crassos nos relatórios. Mas, uma vez que foram maquinadamente forjados e, impostos por uma avidez por guerra com cunho religioso, quem se oporia?

    O embushte de 11/09, e mais um conluio com o ratazinger do Vaticano, e repete-se, e repete-se ignominiosos crimes contra a Humanidade; e nenhum senta num Tribunal de Definitiva Sentença.

    Aí insuflam garotos na Alemanha a “guerrear” contra o islã. O Sidious nazista manobra, e manobra. Tem tempo e tem dinheiro do sangue das nações, e dos salafras sem escrúpulos que enviam somas (Dilma liberou 25 milhões para a cretina confraria católica) à revelia do povo a que enganam, e assinam acordos com esse antro, esse covil, de mentira.

    Enquanto professores são chamados de vagabundos no Brasil, porque clamam pelo direito de ter o merecimento digno pelo que fazem; somos obrigados a ver e aceitar as salas de aulas voltarem a ser invadidas pela canalha bizarrice criacionista. A amancomunação dos pulhas não tem limites, e eles investem contra a Democracia, subjugando feitos e pessoas da Ciência, arregaçando os estudantes,impondo uma psicologia esdrúxula, de vômito.

    Agora, no auge da ignomínia começam a tentar estropiar a própria História Humana, e alterar os fatos para dizer que não cometeram os atrozes (e até hoje não cobrados, nem ressarscidos)crimes contra vários povos, e o flagelo de várias gerações.

    Usam a cor da pele para manipular povos, usam e estrupam a Fé que muitos têm numa Infinita Sabedoria, deturpam os direitos, expropriam os bens dos desgostosos e inconformados.

    Como um vírus assolador o xurume nocivo se multiplica em denominações mercenárias impondo falácias, forjando terrores e dores lancinantes nos que em qualquer momento são avassalados pela roleta da metralhadora psicológica louca da maldita instituição religiosa.

    Em que uma geração massacrada dez anos seguidos porá a firmeza de sua estatura? O que estamos fazendo como espécie humana conosco mesmos? A que covardia estamos repetidamente nos subjugando?

    Os gritos são alarmantes, AS CONSCIÊNCIAS TÊM OBRIGAÇÃO DE TOMAR ATITUDE. A fibra humana não está disposta a sucumbir. A dignidade de nossos ancestrais revoltam-se em nossos genes; e somos chamados à postura do Homo Sapiens sapiens faber psi.

    Haddammann Veron Sinn-Klyss

    Comentário por Haddammann — 06/12/2008 @ 4:29 pm | Responder


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