Revendo a Religião

22/02/2008

Religião: Um Mal Antigo

Filed under: alienação,ateísmo,história antiga,religião — jorgesneto @ 4:40 pm
Tags: , , , ,

Há algum tempo, estava assistindo a um programa de televisão denominado “Cidades do Mundo Antigo”, no Discovery Channel. O programa retratava os hábitos de vida e um pouco da cultura de um povo chamado pelos estudiosos de Lambayeque (o local do estudo é famoso pelas “Pirâmides de Túcume”), o qual foi completamente dizimado após a chegada dos espanhóis ao Peru.

Voltando-se mais de quinhentos anos na história, poderíamos constatar que esse povo não foi o único a ser extinto pela jactância infindável dos conquistadores europeus, os quais traziam em suas “bagagens” tudo o que era necessário para conquistar povos brilhantes, de intelecto anos-luz a frente dos néscios europeus: a força bruta, a intenção de guerra e a palavra de Deus.

Estive lendo, tempos atrás, um livro denominado “O Livro Negro do Cristianismo”¹. Nessa obra, havia um capítulo inteiramente dedicado aos absurdos cometidos pela igreja no mundo moderno. Quando li as atrocidades praticadas pelos colonizadores, avalizados pelos primeiros jesuítas, fiquei perplexo, impotente e cabalmente aterrorizado.

Fala-se muito sobre o genocídio judeu cometido por Adolph Hitler e seus exércitos anti-semitas. Não só a igreja católica fez questão de se abster de qualquer meio de afrontamento aos nazistas como também cometeu ato de igual ou maior proporção na época da colonização sul-americana! Os colonizadores e “soldados de Jesus” gozavam de um sadismo que transpassava a barreira do grotesco, uma vez que as práticas de tortura eram comuns, compondo um cenário cotidiano de dor, desespero, prepotência e irracionalidade.

Não quero perder muito o objetivo principal dessa postagem, pois as barbáries cometidas na época da colonização certamente comporiam outro artigo, então, voltemos ao documentário do povo Lambayeque.

Segundo os estudiosos, centenas de pirâmides foram erguidas com o esforço sobrenatural dos locais, com o propósito de acolher os sacerdotes maiores, aqueles que realmente mantinham o controle dos demais membros da “tribo”. Havia uma crença politeísta, uma vez que era criado um “deus” para os vários fenômenos naturais, os quais obviamente não poderiam ser explicados com o conhecimento inerente à época.

O mecanismo de funcionamento dessa sociedade era um tanto quanto simples: as pirâmides eram erguidas para mimetizar as grandes montanhas, consideradas – conforme o ingênuo conhecimento dos habitantes locais – as moradas dos grandes deuses. Sendo assim, aquele que morava no alto da pirâmide era uma espécie de procurador dessas entidades divinas (história essa repetidamente utilizada por todas as religiões. Olhe, por exemplo, para o papa da igreja católica. Ele não é considerado o representante de Deus na terra? Sim, ele é. Uma idéia nada original, mas por vezes infalível), exercendo o “cargo” de soberano. Quando algum fenômeno natural – uma grande tempestade, por exemplo – ocorria, e o soberano não podia impedi-lo, a sua pirâmide era literalmente queimada, para que outra edificação fosse estruturada e servisse de “palácio” a um novo soberano.

Porém, ao final de vários ciclos governamentais, essa tribo foi completamente extinta. Por que razão? Excetuando-se a colonização espanhola, o principal motivo foi a crença no incrível, no inexplicável: em sumo, foi a primitiva manifestação da religião.

O povo Lambayeque era extremamente devoto aos seus preceitos religiosos. O soberano tinha o mesmo respeito dos deuses maiores, portanto arcava com a mesma responsabilidade e também com o risco de punições na ocasião de um governo pífio ou não condizente com as necessidades locais. Para assegurar o seu cargo de soberania, várias formas de oferendas aos deuses da natureza eram realizadas, incluindo-se aí o sacrifício humano.

Vou tentar criar uma linha reta de raciocínio para correlacionar a crença Lambayeque com a sua extinção.

Como já citei anteriormente, a chegada dos brutos espanhóis foi fator decisivo na exterminação em massa desse povo primitivo. Como em todos os outros casos de colonização sul-americana, os habitantes locais foram submetidos à escravidão forçada, assim como ao risco de contaminação por patologias restritas ao velho continente, desconhecidas pelo sistema imunológico dos Lambayeques. Porém, a outra ponta do iceberg que naufragou a população Lambayeque foi o uso do sacrifício humano em massa, como numa espécie – aplicando-se o neologismo – de “auto-genocídio”.

A chegada dos espanhóis foi interpretada pelo povo Lambayeque como um aviso da fúria dos deuses, um presente macabro referente à má utilização do poder pelo soberano e pela conivência da população. Os soberanos conscientizaram-se de que as suas oferendas cotidianas não eram suficientemente convincentes para salvar a população então imersa no caos, e, tomados por uma onda de insensatez, passaram a oferecer sacrifícios humanos aos deuses.

Em atos de desespero e completa ignorância, os grandes sacerdotes mataram centenas de habitantes para oferecê-los como oferta aos grandes deuses (relatos tecidos pelos colonizadores continham informações sobre os estranhos rituais, onde gargantas eram cortadas e corações eram, literalmente, arrancados), enfraquecendo ainda mais o já fragilizado povo Lambayeque, entregando-o ao seu cruel destino: a extinção.

Perceba, agora, a força que o credo religioso exerce em um povo. Um povo notavelmente brilhante, com excelentes noções de engenharia, e com um futuro certamente promissor, foi traído pela sua crença, apunhalado pelos seus próprios deuses imaginários, e, pesarosamente, apagado da superfície terrestre pela sua devoção ao inexistente.

Como em toda e qualquer religião, nota-se que nesse povo existiam dois componentes fundamentais para a propagação da crença no incrível: um pregador, sustentado pela dominação exercida sobre um povo crente e submisso, e o próprio povo, impotente e confortado em algo que não existe.

Alguns dizem que a guerra é o “começo para o fim” do mundo; outros dizem que o dinheiro é o que sustenta as diferenças, e, portanto, é a fonte para o “apocalipse”.

Várias opiniões surgem sobre qual seria o verdadeiro mal, mas eu ponho em jogo o meu conhecimento para proteger a idéia de que o mal mais antigo do mundo, o verdadeiro “pecado original”, é a religião, pois nada que alimenta a crença no impossível, ludibria milhões de pessoas, inserindo em seus pensamentos que a salvação só é obtida aderindo-se a um ser que nada faz por ninguém (mesmo porque um ser imaginário só pode realizar atos em pensamentos, nunca no “mundo real”), pode ser encarado como algo de bom.

Tenho pena dos Lambayeques. Porém, tenho mais pena daqueles que não conseguem aprender nada com a história, reincidindo nos mesmos erros e perpetuando-os.


¹ FO, J.; TOMAT, S.; MALUCELLI, L.
O Livro Negro do Cristianismo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

Anúncios

7 Comentários »

  1. Ok Voce Ganhou

    Quando lhe perguntei sobre o filme Apocalipto do Mel Gibson, voce não respondeu nada, porém estes relatos que estão aqui em cima sobre esta civilização “Lambayeques” é totalmente semelhante ao filme, só que visivelmente a violência assusta.

    A religião é um mal antigo, tudo bem, Mas esse povo não adorava o deus desconhecido dos atenienses, Não conheciam o Deus Verdadeiro, Não Conheciam Jesus que foi capaz de morrer na cruz para nos perdoar, sem considerar a religião, sem considerar a verdade, Vejamos quem foi Jesus, no Minimo o maior personagem da história, supunhamos que Ele tenha morrido mesmo e enterrado bem fundo, Suas açoes e suas palavras gritam até hoje.
    Seus fundamentos de amor se tornaram alicerces para esse mundo conturbado em que vivemos, são alicerces frágeis, mais quando se poe o pé fora do barco de São Pedro, certamente se afundará, mas este “SuperHomem” continua caminhando sobre as aguas, e ainda é capaz de nos puxar para cima quando pedimos por socorro.
    Imaginemos nosso mundo hoje sem Jesus, nos comparemos à essa civilização entregue à sorte de seus proprios pensamentos, tentando se salvar acabaram se aniquilando totalmente.
    Imaginemos hoje se abolicimos a lei e os dez mandamentos de Deus, ou o amai o proximo como a si mesmo e começasemos a pregar, matar é permitido, roubar não é crime, cobiçar o alheio é permitido e etc… Imagine um mundo assim, inevitavelmente teriamos que criar a nossa própria lei, mas, será que ela seria correta e justa.
    Depois de tudo isso prefiro o meu Jesus, Não uma religião cega e dominadora, mas como realmente fomos criados, Livres, e liberdade implica que devemos repeitar também a liberdade do outro, ou então não será liberdade e sim autoritarismo.

    Caso contrario, sem limites, sem regras, e principalmente sem AMOR “Que é Deus” o homem se destroi da mesma forma que os Lambayeques.

    tem muitos Lambayeques por aí ainda hoje sem fé se perdendo nas drogas até a morte.

    Vamos salvar a humanidade.

    Comentário por SIZENANDO — 01/04/2008 @ 1:33 pm | Responder

  2. SIZENANDO

    Seu conhecimento está muito hipotético, muito mesmo. Não vou perder meu tempo aqui te ensinando história, antropologia, metafísica, e um pouquinho e empirismo. Só lhe digo para ler um pouco sobre mitologia egípcia (já que é a mais antiga) você poderá faz uma analogia com seu cristianismo idiota, Leia também: ”Deus um delírio” de Dawkins, e, O Espírito do Ateismo. Após isso quero ver outro comentário sem noção, base e fundamentos alguns.

    Comentário por Fiend — 15/11/2008 @ 7:58 pm | Responder

  3. É triste ouvir tanta ignorância de uma pessoa como este Sizenando. Como esse idiota pode afirmar que o Deus dele é o único, que o redentor Jesus dele é o unico salvador se existe no mundo 1,3 bilhões de hindus, 2 bilhões de islâmicos seguidores de Allah e no profeta Maomé, 400 milhões acreditam em deuses animistas. E assim por diante, totalizando uns 4 bilhões de pessoas que NAO ACREDITAM no Deus dele e no seu Jesus. Dai uma gigantesca possibilidade dele estar errado, não é? Quantas religiões ele conheceu a fundo para ter a certeza de que esta na correta? No auge da cegueira dele, ele deve ser capaz de dizer “Não preciso conhecer outros Deuses pra saber que Javé (nome de origem Aramaica para o Deus do evangelismo e cristianismo) é o único verdadeiro…” blabla e usará frases ja prontas sem nenhum esforço para o raciocinio, como se fosse um boneco de barro ou um cuco. Não sabendo ele que os pesquisadores que se dedicaram ao estudo das origens do cristianismo sabem que desde o segundo século de nossa era tem sido posta em dúvida a existência de Cristo. Muitos até mesmo entre os cristãos procuram provas históricas e materiais para fundamentar sua crença. Infelizmente, para eles e sua fé, tal fundamento jamais foi conseguido, e a história cientificamente elaborada denota que a existência de Jesus é real apenas nos escritos e testemunhas daqueles que tiveram interesse religioso e material em prová-la. Desse modo a existência, a vida e a obra de Jesus carecem de provas indiscutíveis.
    Nem mesmo os Evangelhos constituem documento confiável. As bibliotecas e museus guardam escritos e documentos de autores que teriam sido contemporâneos de Jesus e que não fazem qualquer referência ao mesmo. Por outro lado, a ciência histórica tem se recusado a dar crédito aos documentos oferecidos pela Igreja, com intenção de provar a existência física desta figura. Ocorre que tais documentos, originariamente, não mencionavam sequer o nome de Jesus; todavia, foram falsificados, rasurados e adulterados visando suprir a ausência de documentação verdadeira. Por outro lado, muito do que foi escrito para provar a inexistência de Jesus Cristo foi destruído pela Igreja, defensivamente. Assim é que, por falta de documentos verdadeiros e indiscutíveis, a existência de Jesus tem sido posta em dúvida desde os primeiros séculos desta era, apesar de ter a Igreja tentado destruir a tudo e a todos os que ousaram contestar os seus pontos de vista, os seus dogmas.
    Por tudo isso é que o Papa Pio XII, em 1955, falando para um Congresso Internacional de História em Roma, disse: “Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé, e não à história”. Emílio Bossi, em seu livro intitulado “Jesus Cristo Nunca Existiu”, compara Jesus Cristo a Sócrates, que igualmente nada deixou escrito. No entanto, faz ver que Sócrates só ensinou o que é natural e racional, ao passo que Jesus teria se preocupado apenas com o sobrenatural. Sócrates teve como discípulos pessoas naturais, de existência comprovada, cujos escritos, produção cultural e filosófica passaram à história como Platão, Xenófanes, Euclides, Esquino, Fédon. Enquanto isso, Jesus teria por discípulos alguns homens analfabetos como ele próprio teria sido, os quais apenas repetiriam os velhos conceitos e preconceitos talmúdicos.
    Sócrates, que viveu 5 séculos antes de Cristo e nada escreveu, jamais teve sua existência posta em dúvida. Jesus Cristo, que teria vivido tanto tempo depois, mesmo nada tendo escrito, poderia apesar disso ter deixado provas de sua existência. Todavia, nada tem sido encontrado que mereça fé. Seus discípulos nada escreveram. Os historiadores não lhe fizeram qualquer alusão. Além disso, sabemos que, desde o Século II, os judeus ortodoxos e muitos homens cultos começaram a contestar a veracidade de existência de tal ser, sob qualquer aspecto, humano ou divino. Estavam, assim, os homens divididos em duas posições: a dos que, afirmando a realidade de sua existência, divindade e propósitos de salvação, perseguiam e matavam impiedosamente aos partidários da posição contrária, ou seja, àqueles cultos e audaciosos que tiveram a coragem de contestá-los.
    O imenso poder do Vaticano tornou a libertação do homem da tutela religiosa difícil e lenta. O liberalismo que surgiu nos últimos séculos contribuiu para que homens cultos e desejosos de esclarecer a verdade tentassem, com bastante êxito, mostrar a mistificação que tem sido a base de todas as religiões, inclusive do cristianismo. Surgiram também alguns escritos elucidativos, que por sorte haviam escapado à caça e à queima em praça pública. Fatos e descobertas desta natureza contribuíram decisivamente para que o mundo de hoje tenha uma concepção científica e prática de tudo que o rodeia, bem como de si próprio, de sua vida, direitos e obrigações.
    A sociedade atualmente pode estabelecer os seus padrões de vida e moral, e os seus membros podem observá-los e respeitá-los por si mesmos, pelo respeito ao próximo e não pelo temor que lhes incute a religião. Contudo, é lamentavelmente certo que muitos ainda se conservam subjugados pelo espírito de religiosidade, presos a tabus caducos e inaceitáveis. Jesus Cristo foi apenas uma entidade ideal, criada para fazer cumprir as escrituras, visando dar seqüência ao judaísmo em face da diáspora, destruição do templo e de Jerusalém. Teria sido um arranjo feito em defesa do judaísmo que então morria, surgindo uma nova crença. Ultimamente, têm-se evidenciado as adulterações e falsificações documentárias praticadas pela Igreja, com o intuito de provar a existência real de Cristo.
    Modernos métodos como, por exemplo, o método comparativo de Hegel, a grafotécnica e muitos outros, denunciaram a má fé dos que implantaram o cristianismo sobre falsas bases com uma doutrina tomada por empréstimos de outros mais vivos e inteligentes do que eles, assim como denunciaram os meios fraudulentos de que se valeram para provar a existência do inexistente.
    É de se supor que, após a fuga da Ásia Central, com o tempo os judeus foram abandonando o velho espírito semita, para irem-se adaptando às crenças religiosas dos diversos povos que já viviam na Ásia Menor. Após haverem passado por longo período de cativeiro no Egito, e, posteriormente, por duas vezes na Babilônia, de onde introduziram no seu judaísmo primitivo as bases das crenças dos povos com os quais conviveram. Sendo um dos povos mais atrasados de então, e na qualidade de cativos, por onde passaram, salvo exceções, sua convivência e ligações seria sempre com a gente inculta, primária e humilde. Assim é que, em vez de aprenderem ciências como astronomia, matemática, sua impressionante legislação, aprenderam as superstições do homem inculto e vulgar.
    Quando cativos na Babilônia, os sacerdotes judeus que constituíram a nata do seu meio social, nas horas vagas, iriam copiando o folclore e tudo o que achassem de mais interessante em matéria de costumes e crenças religiosas, do que resultaria mais tarde compendiarem tudo em um só livro, o qual recebeu o nome de Talmud, o livro do saber, do conhecimento, da aprendizagem. Por uma série de circunstâncias, o judeu foi deixando, aos poucos, a atividade de pastor, agricultor e mesmo de artífice, passando a dedicar-se ao comércio. A atividade comercial do judeu teve início quando levados cativos para a Babilônia, por Nabucodonosor, e intensificou-se com o decorrer do tempo, e ainda mais com a perseguição que lhe moveria o próprio cristianismo, a partir do século IV.
    Daí em diante, a preocupação principal do povo judeu foi extinguir de seu meio o analfabetismo, visando com isso o êxito de seus negócios. Deve-se a este fato ter sido o judeu o primeiro povo no meio do qual não haveria nenhum analfabeto. Assim, chegando a Roma e a Alexandria, encontrariam ali apenas a prática de uma religião de tradição oral, portanto, terreno propício para a introdução de novas superstições religiosas. Dessa conjuntura é que nasceu o cristianismo, o máximo de mistificação religiosa de que se mostrou capaz a mente humana. O judeu da diáspora conseguiu o seu objetivo. Com sua grande habilidade, em pouco tempo o cristianismo caiu no gosto popular, penetrando na casa do escravo e de seu senhor, invadindo inclusive os palácios imperiais. Crestus, o Messias dos essênios, pelo qual parece terem optado os judeus para a criação do cristianismo, daria origem ao nome de Cristo, cristão e cristianismo.
    As fontes das literaturas judaicas que deu origem ao Cristianismo foi o passado religioso dos homens que estavam repletos de deuses solares e redentores. Na índia, temos Vishnu, um deus que se reencarnou nove vezes para sofrer pelos pecados dos homens. No oitavo avatar foi Krishna e, no nono, Buda. Krishna foi igualmente um deus redentor, nascido de uma virgem pura e bela, chamada Devanaguy. Sua vinda messiânica foi predita com muita antecedência, conforme se vê no Atharva, no Vedangas e no Vedanta. O deus Vishnu teria aparecido a Lacmy, mãe da virgem Devanaguy, informando que a filha iria ter um filho−deus, e qual o nome que deveria dar−lhe. Mandou que não deixasse a filha casar−se, para que se cumprissem os desígnios de deus. Tal teria acontecido 3.500 anos a.C. no Palácio de Madura. O filho de Devanaguy destronaria seu tio. Para evitar que acontecesse o que estava anunciado, Devanaguy teria sido encerrada em uma torre, com guardas na porta. Mas, apesar de tudo, a profecia de Poulastrya cumpriu−se, “O espírito divino de Vishnu atravessou o muro e se uniu à sua amada”. Certa noite ouviu−se uma música celestial e uma luz iluminou a prisão, quando Viscohnu apareceu em toda a sua majestade e esplendor. O espírito e a luz de deus ofuscaram a virgem, encarnando−se. E ela concebeu. Uma forte ventania rompeu a muralha da prisão quando Krishna nasceu. A virgem foi arrebatada para Nanda, onde Krishna foi criado, lugar este ignorado do rajá.

    Os pastores teriam recebido aviso celeste do nascimento de Krishna, e então teriam ido adorá−lo, levando−lhe presentes. Então o rajá mandou matar todas as criancinhas recém−nascidas, mas Krishna conseguiu escapar. Aos 16 anos, Krishna abandonou a família e saiu pela Índia pregando sua doutrina, ressuscitando os mortos e curando os doentes. Todo o mundo corria para vê−lo e ouvi−lo. E todos diziam: “Este é o redentor prometido a nossos pais”. Cercou−se de discípulos, aos quais falava por meio de parábolas, para que assim só eles pudessem continuar pregando suas idéias.

    Certo dia os soldados quiseram matar Krishna, quando seus discípulos amedrontados fugiram. O Mestre repreendendo−os, e chamou−os de homens de pouca fé, com o que reagiram e expulsaram os soldados. Crendo que Krishna fosse uma das muitas transmigrações divinas, chamaram−no “Jazeu”, o nascido da fé. As mulheres do povo perfumavam−no e incensavam−no, adorando−o.

    Chegando sua hora, Krishna foi para as margens do rio Ganges, entrando na água. De uma árvore, atiraram−lhe uma flecha que o matou. O assassino teria sido condenado a vagar pelo mundo. Quando os discípulos procuraram recolher o corpo, não o encontraram mais porque, então, já teria subido para o céu.

    Depois Vishnu tê−lo−ia mandado novamente à terra pela nona vez, receberia o nome de Buda. O nascimento de Buda teria sido, igualmente, revelado em sonhos à sua mãe. Nasceu em um palácio, sendo filho de um príncipe hindu. Ao nascer, uma luz maravilhosa teria iluminado o mundo. Os cegos enxergaram, os surdos ouviram, os mudos falaram, os paralíticos andaram, os presos foram soltos e uma brisa agradável correu pelo mundo. A terra deu mais frutos, as flores ganharam mais cores e fragrância, levando ao céu um inebriante perfume. Espíritos protetores vigiaram o palácio, para que nada de mal acontecesse à mãe. Buda, logo ao nascer, pôs−se de pé maravilhando os presentes.

    Uma estrela brilhante teria surgido no céu no dia do seu nascimento. Nasceu também, nesse mesmo dia, a árvore de Bó, a cuja sombra o menino deus descansaria. Entre os que foram ver Buda, estava um velho que, como Semeão, recebeu o dom da profecia. Sua tristeza seria não poder assistir à glória de Buda por ser muito velho.

    Buda teria maravilhado os doutores da lei com a sua sabedoria. Com poucos anos de idade, teria começado sua pregação. Teria ficado durante 49 dias sob árvore de Bó, e sido tentado várias vezes pelo demônio. Pregando em Benares, convertera muita gente. O mais célebre de seus discursos recebeu o nome de “Sermão da Montanha”. Após sua morte apareceria também aos seus discípulos, trazendo a cabeça aureolada. Davadatta trai−lo−ia do mesmo modo que Judas a Jesus. Nada tendo escrito, os seus discípulos recolheriam os seus ensinamentos orais. Buda também tivera os seus discípulos prediletos, e seria um revoltado contra o poder abusivo dos sacerdotes bramânicos. Mais tarde, o budismo ficaria dividido em muitas seitas, como o cristianismo.

    Quando missionários cristãos estiveram na índia, ficaram impressionados e começaram a perceber como nasceu o romance da vida de Jesus. O Papa do budismo, o Dalai−Lama, também se diz ser infalível.

    Mitra, um deus redentor dos persas, foi o traço de união entre o cristianismo e o budismo. Cristo foi um novo avatar, destinado aos ocidentais. Mitra era o intermediário entre Ormuzd e o homem. Era chamado de Senhor e nasceu em uma gruta, no dia 25 de dezembro. Sua mãe também era virgem antes e depois do parto. Uma estrela teria surgido no Oriente, anunciando seu nascimento. Vieram os magos com presentes de incenso, ouro e mirra, e adoraram−no. Teria vivido e morrido como Jesus. Após a morte, a ressurreição em seguida.

    Fírmico descreveu como era a cerimônia dos sacerdotes persas, carregando a imagem de Mitra em um andor pelas ruas, externando profunda dor por sua morte

    Por outro lado, festejavam alegremente a ressurreição, acendendo os círios pascais e ungindo a imagem com perfumes. O Sumo Sacerdote gritava para os crentes que Mitra ressuscitara, indo para o céu para proteger a humanidade.

    Os ritos do budismo, do mitraísmo e do cristianismo são muito semelhantes. Horus foi o deus solar e redentor dos egípcios. Horus, como os deuses já citados, também nasceria de uma virgem. O nascimento de Horus era festejado a 25 de dezembro.

    Amenófis III criou um mito religioso, que depois foi adaptado ao cristianismo. Trata−se da anunciação, concepção, nascimento e adoração de Iath. Nas paredes do templo, em Luxor, encontram−se os referidos mistérios.

    Baco, o deus do vinho, foi também um deus salvador. Teria feito muitos milagres, inclusive a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes. Em criança, também quiseram matá−lo.

    Adonis era festejado durante oito dias, sendo quatro de dor e quatro de alegria; as mulheres faziam as lamentações, como as carpideiras pagas de Portugal. O rito do Santo Sepulcro foi copiado do de Adonis. Apagavam todos os círios, ficando apenas um aceso, o qual representava a esperança da ressurreição. O círio aceso ficava semi−escondido, só reaparecendo totalmente no momento da ressurreição, quando então o pranto das mulheres era substituído por uma grande alegria.

    Também os fenícios, muitos milênios antes, já tinham o rito da paixão, do qual copiaram o rito da paixão de Cristo.

    Todos os deuses redentores passaram pelo inferno, durante os três dias entre a morte e a ressurreição. Isto é o que teria acontecido com Baco, Osiris, Krishna, Mitra e Adonis. Nestes três dias, os crentes visitavam os seus defuntos, segundo Dupuis, em “L’ Origine des tous les cultes”.

    Todos os deuses redentores eram também deuses−sol, como Átis, na Frígia; Balenho, entre os celtas; Joel, entre os germanos; Fo, entre os chineses.

    Assim, antes de Jesus Cristo, o mundo já tivera inúmeros redentores. Com este ligeiro apanhado da mitologia dos deuses, deixamos patente a origem do romance do Gólgota.

    Comentário por Péres — 01/11/2009 @ 11:03 am | Responder

  4. Caro Péres;

    Fascinante seu relato! O seu apanhado de mitologia e sua dissertação baseada na comparação irreparável entre o cristianismo tolo e os antigos povos serve como mais uma fonte de informações profundamente aproveitável sobre os embustes da igreja católica e, por consequência, de várias outras fábricas de dinheiro.
    Apenas complementando o seu comentário, queria recomendar aos leitores desse blog o documentário Zeitgeist, onde, em sua primeira parte, faz um apanhado sobre as origens da religião, e acaba reforçando as ideias contidas em seu texto.
    Obrigado pela colaboração.

    Comentário por jorgesneto — 03/11/2009 @ 8:36 pm | Responder

  5. No final das contas, todas as crenças religiosas levam ao mesmo lugar, um labirinto gigantesco chamado universo, onde nós meros mortais cegos e perdidos nesta imensidão buscamos a “luz” que hipoteticamente existe em algum lugar, uma “saída” que nos salvará de todos os problemas que são enfrentados no tal “labirinto”.

    Comentário por tiago — 18/09/2010 @ 1:28 am | Responder

  6. Cara , gostei do texto, realmente a religião é o mal do mundo, principalmente por criar diferenças entre os homens que são todos semelhantes, o pior é que existe umas pessoas que acreditam nessas historias como Jesus ter morrido e ressuscitado.

    Amigo hoje em dia um fato que aconteceu de manha, chega a noite com uma versão totalmente diferente…. imagina o boca a boca de 2000 mil anos atras, Jesus pode ate ter existido, mas era um homem comum que apenas pregava bons costumes… e outras pessoas utilizaram e manipularam os fatos para impor controle e dominação aos povos antigos que eram ignorantes quanto a fenômenos da natureza estrutura da matéria.

    O fato é que hoje em dia a Religião é apenas usada para motivar guerras, lucrar, enganar a massa, e criar falsas esperanças em figuras imaginárias como “Deus, Alá, Budda, Papai Noel, Jesus” e por ai vai.

    Acredito apenas na preservação da energia, por razões mecânicas ainda não temos absoluta certeza da origem e destino da nossa consciência, mas o mais provavel é que vá para outro Universo “Paralelo” segundo a física quântica.

    De qualquer forma não vamos nos prolongar no assunto, mas não sejam idiotas em acreditar em Deuses imaginários, aproveite a vida que tem nesse universo, e como diz “Imagine” de Lenon, “Imagine um mundo sem religiões também”

    Religião o mal do mundo

    Comentário por JediMasterHouse — 12/10/2011 @ 8:08 pm | Responder

  7. É impressionante como a religião consegue moldar e alienar milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo. E quando tentamos alerta-las sobre todo o mal que a história religiosa nos mostra, mostram se totalmente cegos e ignoram o fato de que ela sem dúvida é a maior fonte de desentendimentos no mundo moderno, um mal a se tomar muita distancia.

    Comentário por Thiago — 16/07/2012 @ 2:50 am | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: