Revendo a Religião

30/01/2008

Revendo os Mandamentos: Última Parte

9. Não desejar a mulher do próximo.

Eis um mandamento que realmente os pregadores seguem à risca, principalmente os padres católicos, já que esses são cientes da existência de dezenas ou centenas de crianças indefesas em suas paróquias, prontas para serem aliciadas. Como há pobres almas para serem corrompidas, essa escória certamente não “perde seu tempo” desejando a mulher do próximo!

Desculpem-me pelo breve “momento de desabafo”, voltemos à discussão do nono mandamento.

Quero inciar a discussão desse penúltimo item do decálogo voltando aos primórdios da humanidade, utilizando o olhar cristão como estrada.

No grande começo da decadente humanidade, apenas um homem poderia ser encontrado vagando pelas planícies e planaltos. Esse homem solitário era Adão, fruto da fértil e indefectível imaginação do homem-invisível. O primeiro habitante do planeta foi feito à imagem e semelhança de seu criador, porém, paradoxalmente, devido a um “erro de projeto”, Adão foi submetido a uma intervenção cirúrgica divinal para a retirada de uma costela, e esse curioso pedaço do corpo de Adão forneceu, milagrosamente, o material necessário para a concepção de uma mulher (criada nos laboratórios celestiais de engenharia genética), que viria a se tornar a eterna companhia de Adão (já vi enredos melhores em filmes de ficção científica de categoria “B”).

A partir do momento que Deus criou a primeira mulher da humanidade, ela, consequentemente, tornou-se propriedade do divino (um exemplo mais banal com o mesmo teor é o artigo que você está lendo agora: ele foi criado por mim, logo, pertence-me. A idéia de propriedade exposta aqui pode parecer ligeiramente deslocada, ou até mesmo primitiva, porém é plenamente incontestável).

Portanto, se de algum modo Adão interessou-se pelo belo espécime de ser humano que co-habitava as imensidões de terra ao seu lado, ele já estava infringindo a impecável lei divina. Indubitavelmente, pois Eva seria uma “mulher de Deus”, e Adão estaria desejando-a.

Sim, assim é a religião, cheia de controvérsias, e o mais inquietante é que a verdade está, de fato, ao alcance de qualquer um. Você não precisa ter um quociente de inteligência estratosférico para entender que há coisas absurdamente ridículas sendo ensinadas nas salas de aula das igrejas, basta você fazer uso de seu livre-arbítrio e deixar o seu cérebro funcionar por si, sem interferências externas. Você conseguirá enxergar a verdade mais cedo do que realmente possa imaginar.

O erro fundamental nesse mandamento tem origem na própria igreja, que, ao invés de estimular os fiéis a conhecerem mais sobre sentimentos como auto-estima, felicidade conjugal, fidelidade e amor próprio, incitando então os homens e mulheres a buscarem no próximo não um animal reprodutor, mas sim uma pessoa com quem realmente queiram passar todos os segundos de suas vidas, criando o tão complexo sentimento chamado de amor, acaba estimulando a união matrimonial com propósitos reprodutivos, no intuito principal de procriar a espécie (e, como canso de dizer, de gerar mais fiéis). Isso pode parecer um texto saído de um filme “água-com-açúcar” de Hollywood, mas já que os pregadores gostam de usar textos fantasiosos e dramáticos, por que eu não poderia usar? Não vejo nenhum empecilho, afinal, como já dizia o homem-invisível, “somos todos iguais”.

10. Não cobiçar as coisas alheias.

Quando leio essa frase, acabo sempre me lembrando de um monólogo do humorista norte-americano George Carlin, onde a frase “a cobiça é o que movimenta a economia” é declamada.

O que Carlin quer dizer com sua frase é que a cobiça e a ganância dirigem o comércio mundial, pois esse é o princípio do mercado: a criação de produtos que alguns possam comprar e que os demais devam almejar. A idéia de Carlin é tão verdadeira que eu poderia encerrar esse artigo somente citando a sua frase. Mas não, faço questão de expor minhas idéias também.

Além de movimentar o mercado mundial, a cobiça movimenta também os extratos bancários das instituições religiosas. A ganância desprovida de limites originada dos pregadores religiosos possui um apetite voraz, insaciável, que só é brevemente atenuado com o recebimento de dízimos e ofertas “espontâneas” provindas dos fiéis.

Obviamente, a “cura espiritual” tão difundida pelas igrejas é um simples chamariz que tem o objetivo de trazer fiéis para dentro das “casas de Deus”, os quais acabam tornando-se responsáveis pela fomentação das instituições religiosas, pela transformação dos pregadores em homens milionários e, principalmente, pela perpetuação desse ciclo vicioso. E por que esse e outros chamarizes são criados? A resposta é inequívoca: “devido a ganância e a cobiça dos pregadores”.

A cobiça – assim como a mentira – é inerente ao comportamento humano. O que destoa nos mandamentos é a total falta de conhecimento sobre aquele que possui o papel principal no teatro da religião: o homem (e sua ignorância, certamente).

Se o homem-invisível projetou o ser humano, ele simplesmente deve ter abandonado a “linha de produção” e ter partido para outro plano mais empolgante, pois a falta de conhecimento de Sua Excelência Divina acerca de sua própria criação é assustadora. O todo-poderoso tenta proibir, por intermédio de suas leis, ações e sentimentos gravados a brasas em nossa índole e que jamais poderão ser apagados. Desse modo, tornamo-nos culpados antes mesmo de chegarmos ao mundo, pois seremos acusados de algo que não poderemos fugir. Sob o meu ponto de vista, essa conclusão torna o homem-invisível um sádico, que gosta de apreciar seus discípulos buscarem apavorados um perdão inexistente.

Conclusão

O que seriam, então, os mandamentos?

Nada mais do que um aglomerado de ordens falaciosas acatadas por aqueles que não possuem a habilidade de criar parâmetros pessoais para a análise de outrem, os mesmos que consecutivamente usam da digressão como autodefesa perante situações em que são inquiridos acerca da viabilização prática da lei divina.

Aquele que crê piamente nos mandamentos pode ser tachado, sem margens para erros, de impostor, pois se embrenha atrás de mentiras para esconder uma vida que diverge exatamente daquilo que tanto defende.

Julgo desnecessária a existência de normas que rejam a minha conduta; sou racional o suficiente para saber qual deve ser o meu comportamento perante a sociedade e quais são minhas obrigações como cidadão. Sei também o que posso fazer para não trazer malefícios ou ofender os demais, e para tudo isso não preciso, em momento nenhum, de palavras desprovidas de senso de realidade escritas num livro de ficção religiosa denominado bíblia.

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