Revendo a Religião

25/01/2008

Revendo os Mandamentos: 2ª Parte

4. Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores)

Essa não é uma exigência divina, é a base do relacionamento familiar, quando existe uma família de fato constituída, e não uma fachada sociável que esconde segredos e mentiras.

Porém, acredito que esse mandamento deve ser de difícil cumprimento por aqueles pobres coitados que nascem e são prontamente abandonados pelas mães completamente desprovidas de escrúpulos, mulheres que se desfazem de seus filhos como se estes fossem o lixo que se retira da cozinha.

Sendo assim, um filho renegado, literalmente jogado nos braços corruptos do mundo que o espera, não tem o direito de criar um sentimento de fúria ou de menos-valia, pois estaria ferindo os costumes do homem-invisível. Mas quem será que merece uma punição: a criança que é abandonada à rua ou a mãe (ou até mesmo os pais, dependendo do caso) que se desprende de seu filho com uma frieza equivalente a que um assassino utiliza para matar suas vítimas? Pelo olhar lógico, racional, obviamente é a mãe que merece o “castigo”.

Mas, pelo olhar da religião, o filho deve honrar o pai e a mãe.

Inimaginavelmente ridículo, mas verdadeiro.

Deve-se honrar pai e mãe quando esses são dignos de receber a honra, quando fazem realmente por merecer, servindo de exemplo para os filhos e os direcionando através dos tortuosos e obscuros caminhos que a vida pode seguir. Pais assim merecem o respeito, porém, são simultaneamente maravilhosos e incrivelmente raros.

O pai que estupra a filha, ou a mãe que espanca o filho, não merece um mísero resquício de consideração. Imagine, então, se monstros como esses merecem algum tipo de honra.

5. Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo).

Esse, particularmente, é o meu favorito. Poderia discursar várias páginas sobre isso, pois material histórico para embasar minha escrita certamente não faltaria. São tantas as discordâncias e controvérsias acerca desse mandamento que, sinceramente, não sei qual é o meu ponto de partida.

Talvez eu deva começar citando o nome de todos os que morreram em nome da Igreja, e, consequentemente, em nome de Jesus Cristo. Infelizmente, faltariam páginas para detalhar essa lista, pois os nomes de milhões de pessoas não podem ser escritos em qualquer pedaço de papel. Além do mais, seria uma ofensa post mortem.

Certo, esse não seria um bom começo. Talvez, então, eu deva detalhar alguns métodos de tortura utilizados pelos Inquisidores para obter uma confissão geralmente falsa dos acusados. Torturas para obrigar um “herege” a confessar as suas “maldades”, abjurar e aceitar, literalmente à força, o cristianismo. Não, também não, seria a descrição de um show de horrores, um espetáculo de sadismo que, provavelmente, servia para divertir o homem-invisível. Afinal, a tortura existia para que os homens e mulheres entrassem em pura sintonia com o todo-poderoso, e não para o domínio de sociedades incipientes (ao menos essa era a versão dada pela igreja).

Poderia ainda começar falando das Cruzadas, verdadeiros exércitos formados por todos os tipos de cidadãos (de “mendigos”, que foram o braço forte da primeira Cruzada – antes da cruzada “oficial”- a crianças) que lutavam pela vontade do homem-invisível, pregando a palavra do senhor e evangelizando as populações. Claro, os saques, os estupros, as mortes (até mesmo de outros cristãos), as dizimações de populações, a escravidão forçada, a anexação de territórios e a imposição do cristianismo à força aos povos divergentes são fatos que não devem ser levados em conta, uma vez que o que importa é a palavra do senhor. São todos, digamos, conseqüências de uma luta “justa”.

O mais incrível é que, quando nós, ateus, usamos esses argumentos históricos, os clientes, que realmente não possuem explicações ou argumentos plausíveis para realizar uma réplica digna de seriedade, ficam irritados por não terem como fugir dos fatos, uma vez que não existem desculpas que apazigúem as atrocidades que ocorreram e que não podem ser, em hipótese alguma, esquecidas ou amortizadas. Sim, a realidade “dói”, mas continua sendo a verdade. Mais interessante ainda são aqueles que associam a palavra ateu a regimes totalitários e opressivos, como o nazi-fascismo. Pergunto para esses “cultos” qual foi a posição da igreja perante o fato? Alguém se lembra de ter lido em algum texto com valor literário que a igreja reprimiu os autores das opressões, como Adolph Hitler? Não, ninguém pode lembrar de um acontecimento que não ocorreu. Ao contrário, o ocorrido foi o inverso: por parte da igreja só houve um silêncio singelo, pois os mortos eram judeus, ou seja, inimigos diretos da igreja. O que se deve fazer com o inimigo dos seus inimigos? A resposta da igreja é certeira: apoiá-los, mesmo que sorrateiramente.

A religião é a principal origem de guerras, atuais ou passadas, basicamente pelo fato das igrejas possuírem um apetite insaciável por novas riquezas e por não tolerarem as diferenças culturais dos povos.

Entretanto, fique tranqüilo, afinal são guerras, mas como levam o nome do homem-invisível ao front de batalha, tornam-se “santas”.

6. Não pecar contra a castidade (em palavras ou em obras).

Castidade: s. f. Virtude daquele que é casto;

Casto: adj. Que tem pureza de alma, de corpo; que se abstém de relações sexuais.

Comecei utilizando as definições contidas no Dicionário Delta Larousse¹ na esperança de que padres pedófilos possam entender o que seu homem-invisível prega, e, quem sabe, realmente cumpram as suas premissas, ao invés de trazer sofrimento e profunda tristeza para milhares de famílias (sim, a pedofilia não é algo novo, há algumas décadas passamos a conhecer um pouco sobre essa monstruosidade ecumênica, mas o fato ocorre por séculos).

Citei em primeiro plano a pedofilia porque esse assunto realmente consegue me irritar. Mas ainda há muito para falar.

Um homem que ama uma mulher, que pretender passar a sua vida ao lado de sua companheira, não pode tocá-la com intenções sexuais! Já li e ouvi coisas absurdas, mas essa desponta entre as primeiras de minha lista! Ora, o sexo é crucial para qualquer relacionamento, tanto para a “procriação da espécie” (algo que, por sinal, a igreja prega veementemente, quando proíbe o uso de métodos anticoncepcionais, por exemplo) quanto para um melhor entrosamento entre o casal, pois assim são conhecidos os detalhes do corpo da (o) parceira (o), buscando sempre o prazer e a felicidade mútua. Como diz o velho dito popular, “sexo é bom e faz bem”.

Cada pessoa é dona de seu corpo e possui livre-arbítrio, consequentemente, todos têm o direito de fazer com o seu corpo o que bem-entenderem. Aqueles casais que respeitam esse absurdo certamente são os mesmos que futuramente estarão recorrendo a um cartório para requerer a anulação do casamento, por incompatibilidade de gênios ou por adultério. Veja só: um mandamento acaba levando a transgressão de outro! Mas assim é a religião, repleta de contradições.

Outro fato curioso se dá pelo seguinte: você tem o direito de ter relações sexuais depois do casamento religioso, mas é proibido de usar qualquer método que impeça a procriação, incluindo métodos anticoncepcionais de barreira, como as camisinhas, que são cruciais numa sociedade onde a AIDS predomina assustadoramente. Ou seja, você não pode pecar contra a castidade, mas, por favor, fique a vontade para pecar contra o seu corpo, o importante é que você traga ao mundo novos clientes e perpetue as fontes de riqueza da igreja.

Referência Bibliográfica
¹NOVÍSSIMA Delta Larousse. v. 2. Rio de Janeiro: Delta, 1985.

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3 Comentários »

  1. É cada mandamento mais ridiculo!
    Com erros destes e ainda dizem que protegem os mais fracos, que são justos e correctos.
    Como é que podem ser justos e correctos com falhas destas? É só fachada. A religião não passa de um código de leis para manter os mais pobres e desprotegidos de chupeta na boca e caladinhos enquanto os mais ricos e poderosos controlam o mundo.
    Deus é uma farsa.

    Comentário por space_aye — 26/01/2008 @ 7:33 pm | Responder

  2. Ainda bem que não apagaste o comentário mais importante que fiz, mas sim o outro mais pequeno.
    Desculpa, já me esqueci do que tinha dito no outro, mas sei que não era nada de muito importante.

    Comentário por space_aye — 27/01/2008 @ 6:23 pm | Responder

  3. Obrigado Doc J, o teu favor será obviamente retribuido.
    Estás também convidado a comentar neste blog sempre que o desejares.
    Ele não tem muitas visitas por enquanto qualquer ajuda é sempre boa.

    Comentário por space_aye — 27/01/2008 @ 6:26 pm | Responder


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