Revendo a Religião

17/01/2008

A Intolerância dos “Clientes”

Intolerância. Essa é a palavra perfeita para o início deste artigo.

Conseguintes vezes, em minha vida, fui questionado acerca do meu credo religioso. Fui indagado por diversos cristãos (leia-se clientes) das mais variadas empresas, digo, igrejas, e, acreditem, já perdi falsas amizades pelo simples fato de ser ateu. Diante de pessoas como essas, creio que seria mais adequado dizer que eu era um serial killer, ou talvez um estuprador, pois desse modo não criaria uma esfera de desprezo tal qual criada quando represento por meio de palavras um dos alicerces fundamentais dos meus princípios

Queria, honestamente, descobrir quais são os pensamentos que despontam no cérebro desses pobres ignorantes. Sob o meu ponto de vista, o sentimento desperto deve ser o de repentina inferioridade, pois nada mais explicaria a mudança abrupta de conduta pelo simples ouvir da palavra “ateu”. Talvez essas pessoas saibam que estão defendendo uma mentira coletiva completamente desprovida de conceitos críveis e aplicáveis, levando à instauração imediata de uma barreira psicológica protetora dos seus verdadeiros pensamentos e crenças, que, se rompida, pode culminar – criando-se uma analogia as empresas da fé – na “conversão ao ateísmo”. Sim, talvez os clientes tenham receio de enxergar o quão contraditória é a sua religião, ou pior, o quão contraditória é a sua própria vida. Nada mais seria explicação convincente para as “pedradas” verbais que recebemos por sermos puramente racionais.

Tenho amigos e parentes de todas as “tribos” religiosas: católicos, luteranos, evangélicos. Nunca transformei a religião em um obstáculo à civilidade, mas defendo meus princípios a todo custo. Então, quando alguém chega até mim trazendo alguma conversa de cunho religioso, apenas sigo o meu papel de cidadão: escuto, às vezes teço algum comentário, sempre procurando não ofender ninguém, e termino a conversa, como faria com um amigo ateu ou agnóstico.

Simples assim.

Não dou as costas nem destrato, insulto ou ignoro o meu interlocutor por divergir das minhas ideologias. Afinal de contas, viva a liberdade de expressão!

Se o cliente possui um mínimo de intelecto, discussões agradáveis podem ser criadas uma vez que o seguidor de uma ideologia sempre gosta de defendê-la. Mas, como nem todos possuem intelecto equiparável, a realidade torna-se inconstante, e discussões quase sempre surgem. São nesses momentos que gosto de utilizar uma frase de minha autoria: “Não discuto religião. Qualquer coisa baseada em algo inexistente não pode ser discutida”.

Nas discussões geradas, somos tachados dos mais variados nomes, pois representamos uma afronta ao homem-invisível. Ora, será que o homem-todo-poderoso (perdoem-me os monofisistas) não sabe criar a sua própria defesa? Ah, ele sabe, mas para isso faz uso de seus servos, que lutam para servi-lo e defendê-lo, nem que seja necessária a aniquilação de milhões de pessoas, já que “os fins justificam os meios”. Você acha que estou falando besteiras? Pegue qualquer livro de História e procure por algo denominado “Cruzadas”, certamente você irá constatar o que eu digo.

Após os períodos de negação e revolta por parte dos clientes, presentes em qualquer discussão religiosa, momentos nos quais somos acusados dos mais diversos “crimes” religiosos, dá-se lugar ao período de barganha. Tentam, por todo e qualquer custo, transformarem-nos em novos clientes, citando as velhas mesmas máximas, como “Só Jesus salva”, “Jesus Cristo é o caminho para a felicidade”, “Redima-se de seus pecados e encontre a glória no nosso senhor”, dentre várias outras. Imagine a realização pessoal de um cliente que consegue converter um ateu em um dos seus! O prazer deve ser quase sexual! Com certeza o convertido iria tornar-se um troféu para o cliente, um objeto de verdadeiro orgulho.

Você pode se perguntar: “E qual seria a reação de um ateu ao trazer um crente de volta à realidade?”.

Eu respondo: “ficaria feliz por conseguir resgatar alguém da profunda ignorância religiosa para então fazê-lo enxergar o lado racional da vida, sem desculpas para o desconhecido e sem promessas fantásticas, tornando-o alguém passível de reconhecer os seus limites e preparando-o para uma vida livre de mentiras e subterfúgios, e não para um teatro de fantoches, como prega a igreja”.

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4 Comentários »

  1. Alguns crentes, dependendo de como foram criados, tremem quando ouvem a palavra “maçonaria”, a ponto de entrar em pânico, encerrar a conversa e afastar-se rapidamente (já vi isso acontecer!). É possível que a palavra “ateu” tenha o mesmo efeito em outros.
    E o sentimento que costuma causar pânico é o medo.

    http://tyrannosaurus.wordpress.com

    Comentário por tyrannosaurus — 17/01/2008 @ 5:53 pm | Responder

  2. Sou contra a intolerância, principalmente religiosa, tenho amigos das mais diferentes crenças e sem elas também. Imagino quantas vezes já passou por situações constrangedoras devido a preconceitos e lamento muito por isso. Mas lendo o seu texto percebi que você fala sobre “intolerância religiosa”, mas suas palavras não parecem as mais “amigáveis” as pessoas que tem uma religião. Você diz:
    “cristãos (leia-se clientes) das mais variadas empresas, digo, igrejas”
    “pobres ignorantes”

    Essas frases parecem que foram faladas de alguém que tolera o credo ou a falta de credo de alguém?
    Amigo, não quero te convencer de nada, mas te levar a uma reflexão… realmente você não recebeu tolerância das pessoas quando disse ser ateu, mas será que você é tolerante quando alguém conta para você a sua religião?

    A tolerância que você fala jamais poderá ser alcançada enquanto as pessoas buscarem “defenderem seus princípios a todo custo”. Acima de qualquer crença existe um ser humano do outro lado, que merece respeito as suas opiniões.

    Ainda sobre essa questão “defendo meus princípios a todo custo”, quero dizer que as pessoas que conversaram com você sobre suas crenças fizeram o mesmo e por isso o final não poderia ser outro: conflito!

    Amigo, sobre o que você diz: “mentira coletiva completamente desprovida de conceitos críveis e aplicáveis”, isso se chama fé (nas suas infinitas formas de manifestações) e tem esse sentido de crer no que não se pode ver, pois o que se pode ver e comprovar, não é fé, é certeza!

    Você diz: “Não dou as costas nem destrato, insulto”
    Se coloque no lugar de alguém que tenha uma crença religiosa e leia seu texto… será mesmo que não insulta? As vezes sem intenção fazemos isso…

    Peço que pense bastante e perceba que falta coerência entre algumas coisas que diz pensar e suas palavras. Espero ter ajudado e não ter te ofendido.

    Comentário por Pâmela — 13/10/2008 @ 6:04 pm | Responder

  3. Cara Pâmela;

    Ao contrário do que você pode estar pensando, não criei esse blog para criar amigos: criei esse espaço para expor o meu ponto de vista sobre as religiões. Infelizmente, não existe modo de agradarmos todas as pessoas (talvez isso seja até mesmo uma boa coisa, pois a mesmice seria mais irritante do que a diferença), sempre que expressamos nossas idéias, alguma outra mente sentir-se-á ofendida (falando-se sobre temas polêmicos, obviamente). Não estou aqui para declarar guerra, apenas passo para a tela do computador aquilo que penso, e vale ressaltar que todos os visitantes desse site têm duas opções: ler ou não ler o que aqui se faz escrito. Se você não ler, muito obrigado pela visita. Se você ler, obrigado da mesma forma, mas acostume-se com a idéia de ser contrariado.
    O ser humano deve ser respeitado quando faz merecer o respeito. Certamente, essa é uma constatação que ambos cremos ser incontestável. Porém, como respeitar alguém ignorante? E, por favor, entenda a semântica da palavra: eu chamo os religiosos de ignorantes porque eles simplesmente ignoram a razão, e, consequentemente, aqueles que fazem da razão o alicerce de suas vidas. Se você quer apenas imaginar comigo situações que demonstrariam quem é realmente intolerante, crie a seguinte hipótese: milhares de carros circulam com frases “só Jesus salva” e etc. Agora, imaginemos um carro com a frase “Deus não existe, só a razão salva”. Posso apostar que o carro seria depredado em questão de poucos dias! E perceba que estou apenas usando o mesmo direito que um religioso tem! Por que, então, as tolerâncias são diferentes? Por que os religiosos não suportam ser contrariados? Por que aquele que crê não vê plausibildade na existência de um indivíduo simultaneamente bom e ateu? Responda essas questões como a sua tarefa de reflexão!

    Agradeço, realmente, o seu comentário! Fique sempre muito à vontade para visitar o blog!

    Comentário por jorgesneto — 14/10/2008 @ 9:24 pm | Responder

  4. Respeito tuas opiniões e algumas coisas que disse concordo.
    Se permitir dar minha opinião (mas você já deve saber disso), pois muitas vezes os ateus sabem mais a respeito da religião do que os próprios seguidores.

    Bom, não que quem crê não acredita que possa ter um indivíduo simultaneamente bom e ateu, consideramos as pessoas boas sim, mas não suas atitudes. Você sabe que o ser humano é egoísta, tende para o lado errado, se for necessário rouba, mente, mata etc. Então, nesse sentido, acreditamos que o domínio próprio (independente das circunstâncias) é algo que só com a ajuda de Deus, pois do contrário podemos ser “honestos”, “verdadeiros” até o momento em que isso for vantajoso e fácil. Quando estivermos em uma situação, como por exemplo, perder um relacionamento, perder posses, etc esse ser humano “bom”, não consegui manter o equilíbrio (mesmo que queira).
    Também te garanto que jamais um crente (verdadeiro) depredaria um carro que estivesse escrito “Deus não existe, só a razão salva”. Jamais partiríamos para violência. O problema é que os péssimos exemplos no nosso meio trazem mais argumentos contra a fé. Mas eu sei aqui não é o lugar para discutir esses assuntos… Não quero ser inconveniente.
    Te agradeço pela maneira educada que respondeu meu comentário. Nem todos ateus tem bom senso, tenho lido cada coisa…

    Comentário por Pâmela — 15/10/2008 @ 1:11 pm | Responder


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