Revendo a Religião

31/12/2007

Imposição da Religão na Infância

Catequese. Doutrina. Retiro de jovens. Cultos de fim de semana. Colégio “religioso”.

Existem várias denominações para o que, particularmente, chamo de lavagem cerebral precoce, ou ainda, submissão a um pensamento coletivo errôneo para o qual a criança – muitas vezes ainda distante do ponto em sua vida em que passará a discernir o óbvio do duvidoso – não está preparada, pois o seu ponto alto de desenvolvimento intelectual está verdadeiramente a décadas de distância. Impor a religião, então, é como literalmente “por o doce na boca da criança”

Reflita comigo: você é uma criança de, digamos, 8 anos de idade, que de repente encontra-se em um lugar onde dizem que existe alguém invisível, lá no alto, nos céus, que vê tudo o que você faz, e que exige que você cumpra determinadas regras, porque senão, quando você “for para o céu”, na verdade, será julgado e irá descer para um lugar muito feio, e lá haverá alguém realmente mau, que vai te fazer sofrer pro resto da vida.

Sinceramente, sendo essa criança, não pensaria duas vezes em obedecer ao que o senhor vestido de preto com colarinho branco estaria a me dizer (ou seja lá qual for a vestimenta que ele estiver usando). Claro, uma criança não sabe interpretar o que lhe é dito tal qual um adulto (infelizmente, muitos deles até hoje não aprenderam), então qual alternativa senão a obediência? Uma criança não saberia retrucar para o senhor-vestido-de-preto-com-colarinho-branco algo como: “se esse moço lá dos céus é tão bom, por que ele me mandaria para um lugar tão ruim?”

A imposição de credo religioso deveria ser considerada crime contra a infância e a adolescência. Retirar a liberdade de uma criança, independente do modo como isso seja feito, é como ir tirando pouco a pouco o ar que ela respira!

Desse modo, não há liberdade de escolha, pois uma criança não sabe quais seriam os outros caminhos que poderia seguir, ficando, desse modo, restrita ao mesmo pensamento que os seus pais têm sobre o assunto. Ao invés de ensinarmos que Jesus ressuscitou dos mortos, por que não ensinamos que a morte é algo inevitável, que nos cerca, e que dela não há escapatória, a não ser a morte em si? Eu respondo: porque desse modo os religiosos estariam perdendo “clientes”, afinal, qualquer pessoa que paga por alguma coisa vira automaticamente um cliente. Se você paga o cabeleireiro, você é cliente; se você compra um carro novo, você é cliente; se você paga o dízimo, você é cliente! Perdendo clientes, a religião perde forças para continuar trazendo mais crianças para os seus braços e perpetuando o ciclo de enganação, confusão e distorções da verdade.

É uma pena que as crianças não recebam uma oportunidade de pensar antes de acatar uma religião. Muitos, se não a totalidade, demoram pra perceber que nem sempre aquilo que lhes foi passado é o que realmente aceitam como verdade, e, por muitas vezes também, acabam até mesmo criando conflitos com seus parentes por apenas pensarem.

Para alguns pais, se o filho está pensando diferente sobre a religião está cometendo pecado, um crime divino!

Seria crime pensar? Seria crime utilizar da lógica para buscar respostas a perguntas antes não respondidas? Acho que não. Crime seria continuar na mesma ignorância de sempre, escondendo-se atrás de uma membrana fraca denominada credo religioso. Sim, uma membrana, com um canal de entrada altamente seletivo, havendo influxo somente do que é “sabidamente conhecido”, como os ensinamentos bíblicos.

E a lógica? Bom, se fosse para parafrasear utilizando os termos da biologia molecular, poderia dizer que, para entrar nessa membrana, a lógica teria que realizar um transporte ativo, com grande gasto de energia, para então, quem sabe, atingir o núcleo!

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5 Comentários »

  1. Parabéns pelo magnífico texto e muito obrigado pelo seu comentário no CALHAMAÇO DOS EMBUSTES e, pela permissão para citar os artigos do seu excelente site.
    Quando li não resisti a publicá-lo no meu modesto blog, com referência à fonte, naturalmente, como sempre faço, quando o texto não é da minha autoria.
    Bem haja!

    Comentário por 1atento — 02/01/2008 @ 6:03 pm | Resposta

  2. Olá, Jorge,

    Me parece uma posição radical, concordo moderadamente com voce; mas então afinal como mostrar as crianças o verdadeiro caminho sem ter que cair em conceitos prijudiciais como os atuais?

    Eu sinto um desejo de fazer algo de valoso para as crianças, porém tenho receio de ser mal interpretado…

    Comentário por Ismael — 11/02/2008 @ 4:31 pm | Resposta

  3. Caro Ismael;
    Sob meu ponto de vista, a vida humana possui ciclos de aprendizado (sou embasado pela própria Psicologia). Há épocas certas para o discernimento do que é correto ou não. Não exigimos que uma criança de, suponhamos, 8 anos de idade saiba, com convicção, qual será o seu plano profissional para um futuro ainda distante, assim como não solicitamos a um idoso que lembre os nomes de todos os seus personagens de animação prediletos.
    A curiosidade é inerente às crianças, não há dúvidas. Perguntas sobre os mais variados assuntos surgem, e religião é um tema presente constantemente nessa lista virtual. Para que a criança tenha liberdade de escolha e de raciocínio, não é necessário suplicar por milagres, nem usar da persuasão. É uma tarefa paradoxalmente simples: basta mostrar todos os caminhos. Ao invés de impor uma religião, deveríamos ensinar um pouco sobre todas as religiões e também sobre nenhuma religião, e, simultaneamente, deveríamos deixar as crianças escolherem qual atalho seguir. Eu não irei impor o ateísmo aos meus filhos, irei apenas mostrar os prós e contras de cada corrente ideológica.
    A decisão caberá a eles, quando estiverem prontos, e vale ressaltar que a religião não é um caminho de mão única: o católico de hoje pode ser o evangélico de amanhã; o evangélico de amanhã pode ser o ateu para o futuro.

    Comentário por jorgesneto — 11/02/2008 @ 10:10 pm | Resposta

  4. Caro amigo

    Sei que este texto é anterior àquele outro sobre os povos extintos do Peru.

    Vejamos, sou Pai, um dia disse a minha esposa quando meu filhinho ia enfiar o dedo na tomada, ela deu um grito, que o menino quase morreu de susto, disse então deixa ele enfiar o dedo lá que ele aprende “brincadeira”, mas ela levou a sério, mexo com eletricidade e nunca morri, ela respondeu, mas voce é grande e ele ainda é pequeno. – mas poderia ter mosrrido de susto também!
    Quem estava Certo?

    Nenhum Pai por mais ruim que seja, naturalmente não permitiria que seu filho tomasse esta atitude, sendo que não podemos impedí-lo a tempo de não executar o ato, o grito é a maneira automática do ser animal humano.

    Jesus disse: Vós que sois maus sabeis dar boas coisas para vossos filhos, jamais lhe daria uma cobra se lhe pedisse um pedaço de pão!
    Quanto mais nosso Pai celestial dará o espírito Santo àqueles que lho pedirem.

    É Claro sou um bom Pai, mas se fosse mau, daria uma cobra para meu próprio filho.
    É claro que não, Jesus estava certo.

    É o instinto de sobrevivência Animal atuando no racional humano.

    Logo queremos o bem para nós e para os nossos Filhos.
    O Que é o Bem, o que é Bom?
    Para você é aquilo que você acredita que seja Bom, para mim talvéz seja outra coisa, mas enfim o que eu creio ser bom darei a meu filho não importa a sua idade.
    – Deus é Bom? Jesus é Bom? A Igreja é Boa?
    – O Diabo é bom? O pecado é Bom? o Mal é Bom?
    – A guerra é boa? a Discordia é Boa?
    – O islamita aprende a ser soldado desde Criança.
    – Os meninos da favela, na area das drogas, com 5 anos já tem um revolver nas mãos.

    Isto não é Bom! não é bom mesmo!

    Prefiro levar meu filho para a Igreja e ensiná-lo a rezar, hoje com 19 anos, escorrega um pouco mais não fica sem ir a Igreja todo domingo, pode ate haver erros lá mais sei que será mais seguro onde ensinam a amar do que onde ensinam a odiar e jogar aviões em edifícios, cuidado com as decisões proprias, quando criança poderá, se ninguem gritar, enfiar o dedo na tomada e morrer, quando adulto poderá tomar a decisão de se atirar num prédio e matar 5.000 pessoas.

    Isto não é Bom.

    por isso a maneira natural de agir é levar seu filho para o Bom caminho.
    Agora se obrigá-lo a ir e espancá-lo certamente ele irá aprender que aquele é o caminho ruim. e decidirá se afastar dele.

    Isto é um erro do Mestre e não do Caminho.
    Não soube ensinar o que é bom.
    Mas o que é bom continua sendo Bom.
    É apenas uma questão de aprendizado ou ponto de vista.

    Ensinar não é uma tarefa fácil, podemos acabar ensinando o contrario do que pretendiamos, quando percebermos, será tarde demais, não dá mais para corrigir o erro.

    O Filho Pródigo por exemplo tinha tudo de bom em sua casa e até um exemplo de Pai, decidiu ir embora, o Pai triste sabendo que não seria Bom, o deixou ir assim mesmo, mas confou nso seus ensinamentos e manteve a esperança de que ele certamente retornaria um dia, o cara sofreu, sofreu muito mesmo, mas o que havia aprendido de seu Pai o arrancou da lama dos porcos e trouxe de volta para a dignidade.

    A sementinha do Amor de seu Pai, foi a gota que faltava para ressucitá-lo do meio dos mortos.

    Jamais negarei esta sementinha a ninguem, muito menos à um filho meu, mesmo que o governo decida proibir os pais de educar seus filhos como em alguns países já é assim, eu continuaria ensinando a verdade aos meus filhos, uma delas é que são livres para decidir o que querem, na medida do necessário.

    Não existe nenhum estudo psicológigo nem teorias Freudnianas nisso, é puro Amor de Pai.

    Desejo que voce experimente este imenso Amor do Pai em sua vida um dia.

    Este dia poderia ser hoje mesmo.

    Comentário por SIZENANDO — 01/04/2008 @ 3:32 pm | Resposta

  5. Que pena Jorge que você e outras pessoas acham que são nada, vivendo no nada, para nada e vão pro nada.
    É por isso que pessoas se jogam de um prédio, porque não tem cabimento viver neste mundo violento e correndo riscos por nada , ou não tem cabimento sentir dor em um corpo que não é nada, ou sofrer por outra pessoa que também não é nada. E pra quê estar aqui neste nada e ainda ter que estudar, trabalhar, comer, se vestir, dormir, acordar, se relacionar…PRA NADA????
    Também poderia sair matando todas as pessoas que me incomodam aqui neste nada, elas não são nada mesmo.
    A palavra de Deus diz que o amor de muitos se esfriará, Deus é amor, se o seu amor esfriou, vc realmente não tem mais Deus. Os filhos do Bin Laden serão os Binladinhos, produzirão terrorismo. Os filhos dos peixes vão nadar, os filhos dos cães vão latir e os filhos de DEUS VÃO AMAR.
    E os filhos do nada???????
    Uma pessoa que vive numa ilha deserta acha um relógio, mas ela nunca tinha visto um relógio antes. Analisando aquele objeto, sua complexidade, terá a certeza que alguém o fez, mas o relógio existe muitos identicos na sua operação. Até as plantas criadas pelo próprio Deus são iguais dentro de sua espécie, mas você não, não há ninguém igual a você, como o NADA pode ser tão perfeito se ele é NADA.
    No mundo temos todos os tipos de pessoas, desde muito tempo atrás, e em todos os lugares, seja em uma igreja ou fora dela.Não posso viver com espectativas no ser humano, nem em mim mesma, eu me decepciono comigo mesma, quanto mais com o outro. Sou apenas uma luva que semelhante a uma mão deixa que esta mão entre e faça o que ela achar que deve ser feito.
    Sou semelhança de meu PAI, e sem ele sou uma luva ainda (não sou nada), mas vazia, sem conseguir chegar a lugar nenhum.
    Neste momento meu PAI pede pra que eu ore por vc, pra que vc saiba que vc é alguém sim, com propósitos aqui neste lugar e que pode chegar em lugares nunca vistos aos seus olhos.
    Hoje com 29 anos eu sinto por não ter conhecido minha familia, o Pai o Filho e o Espirito Santo, quando era pequena, muitas coisas poderiam ter sido diferente, ou não, quem sabe eu não diria como vc que fui obrigada a ir na igreja. Hoje eu posso dizer que fui alcançada pelo AMOR do PAI.

    Comentário por tatiana — 20/05/2011 @ 10:27 pm | Resposta


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