Às vezes, um vazio de idéias toma por completo minha mente. Não sei se é pura falta de concentração ou se simplesmente alguns pensamentos estejam esperando o seu ponto de amadurecimento para penetrarem sutil e velozmente em meu córtex, levando-me a escrever meus artigos. Portanto, em alguns momentos, procuro fontes para um novo texto; em outros, as fontes vêm até mim.
Recentemente, recebi um comentário de um leitor pró-cristão que tirou minhas idéias de uma descabida dança incessante em meu inconsciente e colocou-as novamente em um estado de organização racional.
Meu comentarista declarou que não pertence a uma religião dominadora; pelo contrário, goza de uma liberdade suprema, respeitadora e justa.
Pois é justamente sobre liberdade que pretendo falar.
Infelizmente, não consigo tatear a liberdade em local algum. Não consiga avistá-la nem por uma fração de segundos. De algum modo, todos seguem ordens pré-estabelecidas, pois essa é a função social do ser humano. Alguns, mais receosos, atrelam às suas vidas normas e regras exageradas, porém, paradoxalmente necessárias para o correto funcionamento de seus pequenos mundos particulares. Eu não constituo exceção à regra. Minha liberdade é igualmente limitada, pois preciso cumprir horários e praticar ações que nem sempre estou disposto a exercer, porém sou ciente de que essas regras são necessárias para que minha vida não inverta radicalmente seu percurso. Ainda, é claro, tenho uma “liberdade vigiada” pela lei dos homens, pois, como qualquer outro cidadão, não posso simplesmente pôr em prática todos meus devaneios. E, de certa forma, fica confortado com o fato (até mesmo aliviado).
A liberdade plena é virtual. Existe em livros, na tela dos computadores, mas não na vida real, onde é entrecortada por medidas preventivas criadas pelos homens para o adequado convívio social (tanto que uma de suas definições no Dicionário Aurélio¹ é “[a] faculdade de praticar tudo quanto não é proibido por lei”). Isso é uma constatação, comprovada por qualquer pessoa que consiga enxergar além de seu próprio nariz.
Pergunto-me, agora, como uma pessoa que tem sua liberdade delimitada pela lei dos homens e também por uma lei celestial insólita consegue se considerar livre? Não consigo encontrar respostas para uma questão (mais…)