Estive, há algum tempo, lendo uma matéria sobre o novo superacelerador de partículas, denominado LHC (Grande Colisor de Hádrons, traduzindo-se a sigla do inglês). O experimento tem por intuito recriar um ambiente semelhante àquele encontrado após o “Big Bang”, fenômeno que serve como alicerce para as teorias que almejam explicar a origem do universo.
Esse é um experimento de magnitude incalculável, que pode talvez consistir no maior experimento já realizado pelo homem (e para o homem). É dirigido por cientistas brilhantes, homens de intelecto venerável, os quais buscam encontrar nada mais do que a verdade (ou algo que dê as coordenadas em direção à mesma). Mesmo assim, pode-se dizer que esses homens podem estar errados.
Afinal, como alguém pode ter extrema certeza do que fala, quando o teor do discurso é baseado em assuntos que deixam margem à discussão? Não vejo possibilidades, pois teorias são – como o próprio nome já diz – “teorias”, especulações de uma verdade ainda intocada pela certeza da definição incontestável. Princípios como a da irrevogabilidade e da imutabilidade são, então, inutilizáveis, uma vez que haveria um evidente conflito de idéias!
Partindo-se do princípio que especulações não podem receber o título de imutáveis, pergunto-me: como que a Igreja Católica conseguiu embair os seus pobres tolos católicos por tantos séculos com especulações burlescas, desconexas, toleimas que foram agrupadas e denominadas “dogmas”? A resposta é simples: através da intolerância e da imposição forçada!
Inicialmente, gostaria de definir o termo “dogma”. Um dogma nada mais é, segundo o Dicionário Aurélio, do que “o ponto fundamental e indiscutível duma doutrina religiosa […]; na Igreja Católica Apostólica Romana, [é o] ponto de doutrina já por ela definido como expressão legítima e necessária de sua fé”. Um dogma é um fato, uma constatação, uma verdade inviolável com “sentido suficiente manifesto” e “definida pela Igreja como revelada”.
O único modo de uma mentira receber todas as definições acima é através da aplicação de máscaras que disfarcem seu verdadeiro conteúdo, camuflagens que escondem a intolerância e a imposição a qualquer custo!
Sinto-me nauseado quando leio os quarenta e três dogmas da Igreja Católica sob a luz da definição dicionarizada de dogma. Não consigo fazer surgir uma “meia-verdade”, quiçá uma constatação indiscutível e inviolável.
Recentemente, recebi um comentário falando sobre a intolerância. Segundo a leitora, sou tão intolerante quanto qualquer crente. Será esse discurso uma verdade? Seriam os meus textos dogmas ateístas? Analisemos: eu apenas escrevo minhas idéias, independente de aceitação, pois gozo da liberdade de expressão, além de também respeitar a liberdade de escolha. Não faço de minhas palavras armas, prefiro pensá-las como caminhos: ou você segue meus ideais ou escolhe outro trajeto. Simples assim. Não tento impor meus princípios, até mesmo porque tudo aquilo que é simplesmente deglutido pela mente passa a não ser completamente verdadeiro, mas sim um punhado de idéias alquebradas. Por outro lado, temos os católicos e sua santíssima Igreja: essa instituição maleficente é responsável por impor, a ferro e fogo, seus princípios sujos, fazendo consolidar nas mentes mais fracas e incontestes idéias absurdas, mas que acabaram ganhando força e tornaram-se reais por não ter havido altercação por parte dos intelectuais contemporâneos (na realidade, houve tentativa de discussão, mas a receptividade daqueles ludibriados e de seus “donos” não foi das melhores…).
Fique a vontade para fazer suas próprias conclusões!
Se a religião fosse algo crível, aceitável, verdadeiro, não seria imposta, mas sim simplesmente aceita por seus princípios. Idéias como os dogmas, se analisadas com todo cuidado e afinco, apenas ressaltam o lado fraco da Igreja, a qual necessita de artimanhas para continuar enriquecendo às custas de seus pobres e ludibriados fiéis.
Pretendo, nos próximos textos, rebater os quarenta e três dogmas da Igreja Católica, assim como já fiz com os artigos do Decálogo. Talvez eu consiga aprender alguma lição (ou, mais provavelmente, consiga criar novas lições para os religiosos!).
Uma pequena observação
O termo “teoria”, neste caso difere E MUITO do termo “teoria” no senso comum. Refere-se a Teoria Científica. Sugiro que leia mais sobre isso aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_cient%C3%ADfico , para um apanhado geral, ou os livros de Karl Popper.
Comentário por André — 16/10/2008 @ 8:26 pm |