Religiosos, munidos de uma necessidade apodíctica de autodestruição, buscam criar um habitat completamente alheio ao mundo real, uma espécie de realidade paralela construída pelo desespero e pela crescente necessidade de condenação intelectual, governado tão somente pelo homem-poderoso e por seus filhos terrenos.
Pergunto-me, primeiramente, se os fiéis são simplesmente amauróticos, ou se os mesmos possuem um desejo incomensurável de afastamento da vida real, a qual é, por essência, repleta de desilusões e sofrimentos. Certamente seria agradabilíssimo viver em um recanto iluminado pelas “graças divinas”, isolado de toda maldade e à prova de contestações! Um local virtual, imune a crimes e barbáries, uma vez que todos os filhos maculados pelo carinho (e proteção!) do senhor todo-poderoso estariam em um mesmo lugar, presumindo-se que toda a escória ficaria apenas espreitando, confusa e invejosamente, esse pequeno pedaço de paraíso.
Porém, tal recôndito divino, cingido por bênçãos espirituais, não existe.
Os filhos de Deus não possuem uma área terrena exclusivamente circunscrita. Aqueles que entregam suas vidas, já desprovidas de muitos valores cruciais para o desenvolvimento completo do ser enquanto ser, aos “encantos” da vida religiosa, coabitam com mentes divergentes um mesmo inferno inexpugnável. Logicamente, não há distinção territorial, pois basta sairmos à rua para vermos muçulmanos, cristãos, judeus, evangélicos e ateus circulando pelas mesmas calçadas, comprando nas mesmas lojas, cruzando os mesmos corredores prediais, criando conversas vazias, desprovidas de qualquer propósito, dentro de elevadores.
Vejo pessoas diferentes, com deuses diferentes, convivendo (desarmonicamente, é verdade) lado a lado. Lembro, ainda, que cada um dos mais variados deuses promete uma vida gloriosa, protegida, feliz e saudável para aqueles que devotam obediência eterna. Portanto, como não há um agrupamento territorial definido para cada um dos mais diversos segmentos religiosos, as graças de Deus (ou “dos deuses”) deveriam, então, abranger homogeneamente o globo, para evitar a exclusão involuntária de algum fiel.
Mas, alguém teria a petulância de chamar de terra santa esse caos no qual vivemos? Um estranho mundo, onde milhares morrem devido à inanição, padres violentam sexualmente inocentes e indefesas crianças, políticos angariam o dinheiro destinado à manutenção da saúde já desfalecida de um país e pessoas decentes dividem o mesmo espaço com homicidas, vigaristas e estupradores pode receber inúmeras denominações, mas aposto que nenhuma delas será agradável aos ouvidos.
Existe uma ideologia religiosa dicotomizada que consegue me fascinar! Primeiro, os fiéis creem que foi o seu todo-poderoso senhor imaginário que criou, a partir do zero absoluto, um universo imensurável, assim como todo e qualquer ser vivo que o habita (particularmente, gostaria de obter algumas aulas particulares de fisiologia com o próprio “criador” dos sistemas fisiológicos, certamente seria uma experiência única! Porém, obviamente impossível…). Não consigo quantificar o tamanho do esforço que tal espectro teria de produzir para materializar tantas idéias simultaneamente! Mas, a meu ver, após a finalização do seu “último projeto”, esse espectro divino dedicaria toda a sua inextinguível vida à manutenção dessa obra tão magnífica!
Porém, é exatamente nessa questão que surge o segundo elemento dessa dicotomia paradoxal: estou habituado a ouvir os fiéis pregarem que todos os males que assolam a crosta terrestre são nada mais do que punições particularmente projetadas pelo todo-poderoso. Ora, por que um ser que edifica uma obra tão monumental iria tentar destruir o seu próprio empreendimento? Para os clientes, o sofrimento da humanidade nada mais é do que um castigo severo de seu criador, uma penitência que todos (inclusive os pobre recém-nascidos, desprovidos de qualquer conteúdo em seus cérebros intelectualmente intactos) tem de pagar.
Seria demasiadamente fácil acreditar nessa estória apocalíptica. Em contrapartida, deveras complicado é fazer com que um religioso consiga compreender que as mazelas da sociedade não são obras divinas, mas sim obras do próprio homem, um ser improfícuo, laivado pela vaidade e absorto pelo individualismo, incapaz de vislumbrar o real significado de seu próprio sofrimento.
Milhares de súplicas uníssonas não irão extinguir as chagas do mundo! Não é Deus quem castiga o povo, mas sim o próprio povo que auto-inflige seu escarmento! A fome e a miséria, monstros vorazes que consomem corpos já inertes, não provem dos céus, mas sim da concentração de riquezas nas mãos de poucos, os quais podem ser exemplificados pelos pregadores das incontáveis igrejas - locais tachados de sagrados, mas que poderiam, indubitavelmente, servir de abrigo para os desabrigados errantes, uma vez que todos são bem-vindos à casa de Deus!
Certamente, a religião não é a única culpada pelos problemas do mundo, e meu intuito nesse texto não é convencer ninguém do contrário. Quero apenas tornar transparente a idéia de que lamentações e sussurros direcionados ao inexistente não são métodos resolutivos, mas sim fontes de escape, manobras que tem por objetivo a criação daquele mesmo mundo paralelo e inalcançável supracitado, onde sofrimentos são suprimidos e mentiras constituem a quintessência.
HA HA HA HA HA…SR. JORGE, O SENHOR FAZ UMA ANÁLISE DO SER HUMANO, OU MELHOR DA PESSOA RELIGIOSA ESPECIFICAMENTE….E SE CONSIDERA UM EXPERT…INTELIGENTE…INTELECTUAL…ACIMA DO BEM E DO MAL…TALVEZ UM ATEU…PELO SEU MODO DE EXPRESSAR… O QUE NÃO ENTENDO É COMO SE DÁ AO TRABALHO DE DEPOSITAR NESTA PÁGINA UM AMONTOADO DE FRASES QUE SÓ EXPRESSAM SUA REVOLTA, COM UM DEUS,SIM PORQUE SÓ HÁ UM DEUS,QUE COM CERTEZA UM DIA O SENHOR CONHECERA, AMARA,E ATÉ CRERA NELE…, HOJE POR ALGUMA RAZÃO ROMPERA ESTE LAÇO DE AMIZADE E AGORA TENTA NEGÁ-LO. QUE PENA…CONCORDAMOS EM ALGUMA COISA …DEUS NUNCA CASTIGOU E NEM CASTIGA NINGUÉM.PORQUE DEUS É …A-M-O-R… O SER HUMANO PROVOCA SEU PROPRIO SOFRIMENTO..PORÉM ESTE DEUS QUE É PURO AMOR, ELE ATENDE AS PRECES DO HOMEM SIMMMMM. AH E TEM MAIS, ELE NÃO É IMAGINÁRIO… DEUS É R-E-A-L. ABRÇOS! MARIA APARECIDA LONDRINA .
Comentário de MARIA APARECIDA — 25 Julho, 2008 @ 8:59 pm
Cara Maria Aparecida:
Percebo em seu comentário um equívoco inerente aos religiosos: o erro de interpretação. Certamente não me considero um ignorante, porém sou dotado de limitações intelectuais como qualquer outro indivíduo, e consigo compreender minhas limitações, não busco significados divinos para aquilo que não consigo ainda compreender.
Não estou “acima do bem e do mal”, até porque esse antagonismo religioso não existe (acredite, não há céu, muito menos inferno!). O que existem são pessoas boas e pessoas ruins que se escondem atrás de máscaras, esperando o momento certo de expor suas verdadeiras intenções. Estou apenas num local que pode ser considerado um ponto de equilibrio, longe do fanatismo religioso, mas perto da realidade.
Não é trabalho algum expor um ponto de vista! Trabalho, na verdade, é você criar um policiamento para estar em conformidade com algo que é baseado no inexistente, num ser que foi inventado pelo mesmo homem que aprendeu a seguí-lo cegamente. Ah, e isso não se chama revolta, chama-se poder de discernimento.
Engraçado você comentar que só há um Deus. O seu Deus por acaso ambém promete um acentuado número de virgens para aqueles que morrem por causas “santas”? O seu único Deus também proíbe o uso de calças ou saias curtas pelas mulheres? O seu Deus também prega o ódio pelas mulheres? Acho confuso um mesmo Deus criar leis diferentes… Será, então, que um povo é melhor do que o outro? Creio que fica difícil responder essa questão, uma vez que “perante Deus somos todos iguais!”
Para seu desgosto, talvez, minha época de criar amigos imaginários já se extinguiu há tempos, o que impossibilita criar hoje um laço de amizade com um ser imaginário, não é verdade? Talvez haja um certo aspecto psiquiátrico na religião ainda não descoberto…
Realmente, Deus não castiga ninguém. Quem castiga outrem é o homem cego que acha estar fazendo a obra de Deus. Deus é esperto, faz uso de procuradores para não “manchar seu nome”, mas não consigo vislumbrar o A-M-O-R em meio a tanta podridão!
Se Deus atende as suas preces, na próxima vez, por favor, em nome de uma lista interminável de pessoas, peça a cura definitiva do câncer de mama, ou talvez até mesmo do câncer de pulmão. Se sobrar um espaço, aproveite e peça uma solução para a AIDS. Quando ele (e não venha dizer que se, por acaso, algum cientista realizar essas descobertas, terá sido por vontade divina, quero ouvir da sua boca, e não por meio de terceiros!) dispor dessas respostas a você, poderei até acreditar que ele é R-E-A-L.
Abraços!
PS: nunca obtive uma tréplica de nenhum religioso até hoje. Espero que com você seja diferente!
Comentário de jorgesneto — 26 Julho, 2008 @ 4:04 pm
Parabéns pelo texto.Admiro cada uma de seus textos simples e intrincados ao mesmo tempo, que nos fazem refletir sobre nossa posição nesta esfera de loucuras.
Comentário de PsychoGirl — 26 Agosto, 2008 @ 1:58 am
PsychoGirl;
Obrigado pelos elogios! Certamente são pessoas com a mente aberta, assim como você, que conseguem compreender que o mundo não é apenas um faz-de-conta dominado por pessoas inescrupulosas, e sim um lugar real que necessita de ajuda! Seja sempre bem-vinda!
Comentário de jorgesneto — 28 Agosto, 2008 @ 12:53 am
Respondo apresentando o meu novo post sobre religião, acabadinho de fazer e bem grande XD
Jorge tem um exelente blog sem duvida.
Fique bem, um abraço.
http://museudamente.blogspot.com/2008/09/o-ateismo-segundo-minha-viso.html
Comentário de Space_aye — 3 Setembro, 2008 @ 12:08 pm
Parabéns pelo post, Space_aye! Fiquei feliz ao ler que você é filho de pais ateus: acredite, isso é difícil de encontrar! Talvez por isso você tenha aprendido desde seus primeiros passos a discernir o certo e o errado e também a vislumbrar as teias das religiões!
Seja sempre muito bem-vindo!
Um grande abraço!
Comentário de jorgesneto — 3 Setembro, 2008 @ 8:40 pm