Talvez eu esteja criando um hábito inconsciente de dissecar o conteúdo das falsas premissas utilizadas pelos mais diversos pregadores. Talvez. Mas creio que, utilizando dessa arma literária, alguns visitantes desse site consigam entender um pouco mais sobre a minha linha de raciocínio.
Não tenho o poder de “mudar o mundo”, nem sou hipócrita a ponto de acreditar que simples textos podem transformar os ideais de alguém religioso com prontidão, como se um ato mágico fosse concretizado. Meu verdadeiro e único objetivo é trazer um pouco de luz para a penumbra mental que particularmente chamo de religião.
Como todos podem constatar, já tomei a iniciativa de rever o teor dos mandamentos divinos, ou Decálogo. Exprimi, explicitamente, os sentimentos e pensamentos que brotavam em minha mente enquanto lia tais absurdos. Mas textos e pregações absurdas são o que sustentam as igrejas, movimentam as religiões e transgridem a barreira da razão nos clientes religiosos, reduzindo-a a pó. O absurdo é, portanto, inerente à igreja.
Não criei esse espaço virtual para afrontar uma só religião. Já fui de encontro aos mandamentos católicos, critiquei os dízimos da IURD e agora me deparei com outra fonte de falácias, da qual falarei na seqüência.
Por coincidência, encontrei um site muito sugestivo, denominado “Deus Ama Você”. Não sabia a qual vertente religiosa o texto pertencia, então resolvi “falar com deus”, como preconiza o autor, e forneci meu endereço eletrônico ao sítio virtual. Recebi, em poucos dias, a reposta de um padre da Igreja Batista: um rascunho de oração com assuntos pré-estabelecidos, onde eu deveria primeiramente cuidar dos “assuntos pessoais”. A origem do texto havia sido encontrada, e o conteúdo não apresentava nada extraordinário.
Entretanto, algo me intrigou ao longo da mensagem eletrônica recebida. Eu deveria pedir bênçãos para o corpo eclesiástico local e seus “auxiliares” (inclusive para cada membro da igreja), para “os novos descididos” (notem o grosseiro erro gramatical), enfermos, enfermos espirituais (será a doença espiritual um novo braço da Medicina moderna?) e “pessoas pelas quais desejo que sejam ganhas para Jesus Cristo” (percebe-se novamente que Deus pode ser um ótimo salvador espiritual, mas quando fala aos seus súditos, suas palavras parecem perder um pouco do sentido, transgredindo regras básicas de concordância gramatical. Acho que alguém com a responsabilidade do todo-poderoso deveria estudar melhor as suas falas, para não passar vergonha!). Não obstante, deveria pedir proteção até mesmo aos vereadores da minha cidade, dentre vários outros executores de cargos políticos (em minha humilde opinião, acho que deveríamos ser protegidos dos políticos, ao invés de solicitarmos proteção aos políticos, mas esse já é outro assunto polêmico, o qual não viso discutir nesse artigo)!
A profundidade do apelo contido nessa “oração” chegou a chocar-me por instantes, mas logo consegui formular uma conclusão plausível: esse texto nada mais era do que uma variância de um discurso adotado por todos os outros religiosos gananciosos, pois ao término da mensagem, constava que eu, sob ordem do todo-poderoso (ou “senhor de todos os Exércitos”, como descreve o padre), deveria gastar duas horas e vinte e quatro minutos do meu dia entre orações, leituras da palavra de Deus e cultos entre os membros da minha família. Além disso, deveria levar “todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento em minha (referindo-se ao todo-poderoso) casa”. A abordagem poderia ser diferente, mas os objetivos principais eram os mesmos de sempre: a alienação e o dinheiro. Não quero tornar-me repetitivo, mas para aqueles que ainda não entenderam o sentido-mor da existência das igrejas, quero escrever mais uma vez: o intuito principal é a alienação e o dinheiro.
Pergunto-me quantas pessoas consideram verossímeis as promessas contidas no texto disseminado pela Igreja Batista, culminando no acatamento das ordens presentes nessas palavras falaciosas. Meu desespero responderia “nenhuma”, mas minha razão contrariaria, dando “muitas” como resposta. E, outra vez mais, a razão seria soberana. É lamentável, mas em uma sociedade decadente e desprovida de senso de realidade, textos ridículos como o que recebi são adotados como doutrina por pessoas desprovidas do dom do discernimento lógico, tornando-as escravas de si e servas de um ser que não existe.
Quero concluir esse artigo com um pensamento pertinente: todas as religiões possuem um alicerce em comum, caracterizado pelo apelo financeiro e pela alienação coletiva. Várias formas de persuasão são adotadas, resultando sempre em mentes inconstantes engolidas pelas portas de muitas igrejas, formado exércitos de servos tementes a Deus. Essas tropas religiosas correm o mundo recrutando novos soldados, os quais serão encaminhados a uma guerra inexaurível contra outros exércitos, constituídos também de fiéis ao todo-poderoso.
A guerra gerada pelo embate desses ignorantes beligerantes não é somente armada, mas também psicológica. Cada soldado quer que apenas a sua crença seja aceita como única, predominante, buscando sempre uma homogenia religiosa, nem que para isso culturas tenham que ser dizimadas.
Mas, esperem. Não há um nome em comum em todos os cantos dessa guerra? Sim, há. Esse nome é Deus, o ser todo-poderoso. Então, estaria Deus novamente “brincando de marionete” com seus discípulos, colocando-os uns contra os outros, como num teatro de arena bizarro? Definitivamente, sim.
Consequentemente, dois postulados podem ser manifestados: ou aqueles que seguem o todo-poderoso são néscios inatos, pois não compreendem as ordens de seu mestre, ou o homem-invisível é extremamente perverso, uma vez que regozija assistindo ao definhamento gradual de seus seguidores, os quais crêem piamente que esse mesmo ser supremo irá presenteá-los com sua eterna companhia pelo cumprimento de suas ordens macabras.
Para não representar um papel de ignorante, e também para não ser manipulado por um ente invisível, sádico e, principalmente, inexistente, prefiro confortar-me no raciocínio lógico.
Mais um texto magnífico!
Os traficantes do divino, arvoram-se em representantes do “todo-poderoso”; recebem a correspondência, respondem em seu nome como se tivessem procuração com todos os poderes, prescrevem a droga, fazem o preço e recebem o pagamento.
Autêntico conto do vigário.
Parabéns!
Comentário de 1atento — 12 Fevereiro, 2008 @ 8:01 am
Voceis ateus estão mais preocupados com a religião do que os que acreditam.
Voce já assistiu o filme apocalipto de Mel Gibson.
Pô Meu é Muito legal.
Um mundo totalmente sem Deus, esse cara irreal.
Veja Também o Livro de “Gloria Polo” ela morreu e não morreu está viva Meu!
Ceu e inferno é pura invensão humana e paraiso só na cabeça dos homens bomba,
faça uma busca na internet, tem muito material sobre isso.
Sê Ateu é uma beleza !!!!!!!!!!
intê.
Comentário de Sizenando — 1 Março, 2008 @ 9:53 pm
Olá, caro amigo “sizenando”. Primeiro, quero agradecer os comentários feitos em meu blog, senti-me finalmente feliz por completo quando vi o comentário de alguém que defende a religião. Achei que nenhum de vocês teria a coragem de tecer algum comentário, mas vejo que me enganei. Sendo assim, muito obrigado!
Realmente, “sê ateu é uma beleza”, não precisamos nos esconder atrás de estórias estapafúrdias, e, se por acaso nos preocupamos mais com a religião do que vocês, crentes, é porque damos mais importância ao mundo em que vivemos, pois buscamos um melhor lugar para viver, longe das mentiras das igrejas. Realmente o céu e o inferno existem, mas esse antagonismo se materializa aqui, na Terra, constituindo-se uma metáfora para as ações que cada ser humano realiza.
Obrigado e fique a vontade sempre para escrever novos comentários!
Comentário de jorgesneto — 3 Março, 2008 @ 2:24 pm
É sério cara
Voce não respondeu se viu ou não o filme
do Mel, não é a Paixão de Cristo Não.
É o que conta a historias dos astecas no mexico antes da chegada dos espanhois.
É muito bom mesmo, principalmente para voce que se preocupa com o mundo sem poluição de ideologias e lixo humano.
Fque com …
Comentário de Sizenando — 3 Março, 2008 @ 7:09 pm